quarta-feira, 28 de julho de 2010

Vamos Brincar com a Arte

Portanto, a Arte enquanto processo criador é o elo que faz o ser humano ligar-se á vida.

Tema: Vamos brincar com a arte?

1. Justificativa:

A preocupação com o ensino da arte para crianças, mais especificamente nos primeiros anos de vida tem sido demonstrada e confirmada atualmente por arte-educadores e pesquisadores de diferentes formas: produção acadêmica publicada, debates em congressos, conferências etc. Pois a arte é uma forma de divulgação da cultura de nossos povos, além de ser uma forma de expressar nossos sentimentos e pensamentos, tornando-se uma das muitas linguagens da infância.

Sabendo-se da importância de a arte fazer-se presente nos primeiros anos de vida das crianças este projeto tem como objetivo principal levar a criança a entrar em contato com as diversas expressões artísticas, vivenciando situações significativas que ampliem seu repertório cultural levando-as á percer a arte como forma de expressão de nossa cultura e de nossos sentimentos e pensamentos.

Para tanto, buscaremos na arte atividades que privilegiam a criatividade e a autonomia da criança na busca de soluções, valorizando também a troca de idéias e o trabalho cooperativo.


2. Objetivos de Ensino:

• Propiciar o contato das crianças com as diversas expressões artísticas;

• Organizar situações significativas que ampliem seu repertório cultural;

• Incentivar as crianças á expressar-se através da arte, desenvolvendo sensibilidade e um olhar crítico.


3. Objetivos de Aprendizagem:

• Entrar em contato com as diversas expressões artísticas envolvendo-se nas atividades propostas;

• Ampliar seu repertório cultural;

• Expressar-se através da arte;


4. Revisão Bibliográfica:
4.1: A arte na educação infantil:

Segundo Martins;Picosque;Guerra (1998, p.14): A comunicação entre as pessoas e as leituras de mundo não se dão apenas por meio da palavra. Muito do que se sabemos sobre o pensamento e os sentimentos das mais diversas pessoas, povos, países, épocas são conhecimentos que obtivemos única e exclusivamente por meio de suas músicas, teatro, pintura, dança, cinema, etc.

Portanto podemos afirmar que a Arte é uma forma do ser humano expressar suas emoções, contar sua história e sua cultura através de valores estéticos, como beleza, harmonia, equilíbrio.

Nos anos 90, a Arte foi reconhecida como disciplina, constando na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96), aprovada em 20 de dezembro de 1996 e em seu artigo 26, parágrafo 2º nos diz: “O ensino da Arte constituíra componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos” (BRASIL. 1996). No que diz respeito à Arte na Educação Infantil o Referencial Curricular para Educação Infantil (RCNEI) diz que:

[...] tal como a música, as Artes Visuais são linguagens e portanto uma das formas importantes de expressão e comunicação humanas, o que, por si só, justifica sua presença no contexto da educação, de um modo geral, e na Educação Infantil, particularmente. (BRASIL, 1998c, p.85)

Assim podemos perceber quão relevante é falarmos de arte, pois falamos de emoção, prazer e encantamento, sentimentos que estão intimamente ligados à experiência estética, que também está ligada à sensibilidade, e desta forma devemos propor desde cedo o contato das crianças com propostas artísticas, pois é pela vivência que nos sensibilizamos no relacionamento com o mundo, ela e a imaginação criadora nos proporcionam uma imersão no mundo da arte.

Nascimento e Tavares (2009) pontuam que as Artes Visuais expressam, comunicam e atribuem sentido a sensações, sentimentos, pensamentos por vários meios, dentre eles; linhas formas, pontos, que estão presentes no dia-a-dia da criança, de formas bem simples como: rabiscar e desenhar no chão, na areia, em muros, sendo feitos com os materiais mais diversos, que podem ser encontrados por acaso, são linguagens, por isso é uma forma muito importante de expressão e comunicação humanas, isto justifica sua presença na educação infantil.

Desde o nascimento já vivemos em um mundo repleto de produções culturais que contribuem para nossa estruturação do senso estético quanto às imagens, objetos, músicas, falas, movimentos, histórias, jogos e informações da vida cotidiana, e assim vamos dando forma as nossas maneiras de admirar, de gostar, de julgar, de apreciar e também de fazer as diferentes manifestações culturais de nosso grupo social e dentre elas, as obras de arte que participam das ambiências e manifestações estéticas de nossa vida tanto direta quanto indireta.

A linguagem artística adquire caráter ainda mais significativo na educação infantil porque a sua produção envolve tanto os aspectos cognitivos quanto os aspectos afetivos, intuitivos, sensíveis e estéticos. Assim, ao mergulhar no processo de produção artística, as crianças desenvolvem uma série de pré-requisitos muito importantes para o desenvolvimento da aprendizagem, como o pensamento, a imaginação, a sensibilidade, a intuição e a percepção.

O processo de criação artística, portanto, ao mesmo tempo, que contribui para a formação intelectual da criança, promove a aperfeiçoamento do seu domínio corporal, desenvolve seu processo de expressão e de comunicação e favorece seu relacionamento interpessoal, tornando-a mais participativa e flexível.
4.2: O papel do professor.

Ferraz; Fusari (1999) colocam que ao trabalharmos a Arte na educação Infantil, faz-se necessária organização e explicitação do trabalho, visto que a prática do ensino e aprendizagem da Arte traz consigo questões relativas ao processo educacional e a forma como o professor organiza suas propostas de Arte em sala e que esta seja significativa.

Mesmo sendo considerado um ato exclusivo, autônomo e espontâneo da criança, o processo de criação e construção artística pode ser significativamente enriquecido pela ação dirigida do professor. No processo do fazer artístico, também é importante que o professor promova a valorização e a interação das crianças com suas próprias criações artísticas, o que pode ser alcançado, por exemplo, a partir das exposições dos trabalhos realizados.

O professor deverá garantir que as crianças conheçam e vivenciem aspectos técnicos inventivos, representacionais e expressivos com um trabalho consistente e organizado levando a crianças à análise, reflexão e transformação através de criações artísticas.

Moreira (19693) aponta que é muito importante a relação que a criança estabelece com os diferentes tipos de materiais, primeiro para que adquiram habilidades no uso dos diferentes meios de comunicação, depois pela própria exploração sensorial e da utilização de diversas brincadeiras, nesse sentido as concepções que o professor tem sobre esta linguagem exercem uma grande influência na escolha e organização das atividades.

Segundo Ferraz; Fusari (1999) dentro do processo de formação do conhecimento da Arte pela criança o professor deve compreender o significado de seu mundo expressivo e procurar saber por que e como ela o faz, pois quando a criança desenha, pinta, dança e canta, o faz com vivacidade e emoção. A expressão infantil é constituída de elementos cognitivos e afetivos, sendo assim desde pequenas, as crianças desenvolvem linguagem própria traduzida em signos e símbolos, carregados de significação subjetiva e social, e que devem ser respeitadas e reconhecidas, visto que os rabiscos das crianças são extensões de seus gestos primordiais, um ato criador, resultado de um ato expressivo que evidencia o seu desenvolvimento e expressão do seu eu e do seu mundo, além dos aspectos afetivos, perceptivos e intelectuais.

O compromisso do professor segundo as autoras é adequar o seu trabalho para o desenvolvimento das expressões e percepções infantis e buscando aprimorar as potencialidades das crianças orientando-as a observar, ver, ouvir, tocar, enfim perceber as coisas, a natureza e os objetos á sua volta.

Para que isso aconteça, é necessário que o professor seja um pesquisador, um profissional que busque a contextualização do assunto trabalhado, procurando mostrar as produções artísticas da humanidade como produtos de um contexto social e histórico. A prática do professor precisa ser constantemente revista, em cada um dos experimentos realizados em sala de aula, pois a pesquisa que se aplica adequadamente à Educação, conforme nos fala Dickel (1998, p. 57), é aquela que:

(...) desenvolve teoria que pode ser comprovada pelos professores. É nesse contexto que se faz necessário o professor como pesquisador, movido por indagação sistemática, tornando a sua prática da mesma forma hipotética e experimental.
Cabe ao professor vivenciar a arte para que assim possa apresentá-la ás crianças, pois não podemos falar do que não conhecemos e experimentamos.

Portanto a Arte revela autonomia e espontaneidade da criança, evidenciando traços relacionados ao lugar e à época em que vive. E nós professores temos o dever de propiciar o acesso de nossas crianças a este mundo mergulhando na construção de conhecimentos através da fantasia, imaginação e da sensibilidade que a arte nos promove.


5. Procedimentos Metodológicos:


5.1: Berçário I e II:

• Confeccionar fichas com obras de arte;

• Confeccionar móbiles de caixa contendo obras de arte colada;

• Confeccionar potes de lenço umedecido contendo obras de arte colada;

• Trabalhar com músicas de ritmos e estilos diversos;

• Realizar contações de histórias de formas diversificada;

• Explorar as sensações trabalhando os sentidos;

• Criar um personagem que recitará poemas;

• Explorar as cantigas de roda;

• Explorar massinha de modelar e argila;



5.2: Maternal I e II:

• Criar o canto da arte de formas diversificadas com a visualização de obras de arte;

• Trabalhar com revisitação de obras (maternal II);

• Apresentar técnicas diversificadas de desenho e pintura;

• Criar um personagem que recitará poemas;

• Realizar contações de história diversificadas;

• Trabalhar com músicas de ritmos e estilos diversos;

• Explorar massinha de modelar e argila;

6.Culminância:

Organizar uma Exposição dos trabalhos das crianças e convidar os pais.
7.Cronograma:

• De maio á dezembro de 2010.


8. Recursos:

• Obras de arte;

• Tintas diversas;

• Papéis diversos;

• Cd DVD com músicas;

• Livros de história;

• Fantasia;

• Caixas de papel;

• Potes de lenço umedecido



9. Avaliação:

A avaliação se dará através do portifólio de crescimento que tem como objetivo demonstrar o crescimento do grupo ao longo do projeto.

10. Revisão Bibliográfica:


BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Brasília: MEC/SEF, 1996.


BRASIL. Ministério da Educação Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998a.


BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Formação Pessoal e Social. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1 v, 1998b.


BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Formação Pessoal e Social. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 3 v, 1998c.


FERRAZ, M H C. de T.; FUSARI, M.F de R. Para fazer e pensar uma Educação Escolar em Arte. In:______. Metodologia do Ensino da Arte. 4. reimp. São Paulo: Cortez, 1999a. cap. 1, p. 13-24.


FERRAZ, M H C. de T.; FUSARI, M.F de R. A criança conhecendo a Arte.. In:______. Metodologia do Ensino da Arte. 4. reimp. São Paulo: Cortez, 1999b. cap. 4, p. 53-82.

MARTINS, M.C.; PICOSQUE, G.; GUERRA, M. T.T. Didática do Ensino de Arte: A Língua do Mundo: Poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 1998.


MOREIRA, Ana Angélica Albano. O espaço do desenho: a educação do educador – Coleção Espaço. 8. ed. São Paulo: Edições Loyola, 1993.


Nascimento S P, Ednia ; Tavares, Helenice Maria .Das Artes Visuais na Educação Infantil: Possibilidade Real de Lúdico e Desenvolvimento -Revista da Católica, Uberlândia, v. 1, n. 2, p. 169-186, Minas Gerais , 2009–


http://periodicos.unesc.net/index.php/iniciacaocientifica/article/view/58/48 site consultado em 05/05/2010.


ducação Infantil para que(m)?A organização do trabalho pedagógico com crianças de 0 a 6 anos.


O que é Educação Infantil?
Os objetivos do trabalho pedagógico com crinças de 0 a 6 anos.
Historicamente, no Brasil, a Educação Infantil tem sido encarada de diversas formas: como função de assistência social, como função sanitária ou higiênica e, mais recentemente, como função pedagógica. De modo geral, podemos dizer que, em nosso país, existem dois tipos de Educação Infantil, constituindo um sistema educacional que visa, desde a mais tenra idade, reforçar a exclusão e a injustiça social presente na economia capitalista: há a “Educação Infantil dos Pobres” e a “Educação Infantil dos Ricos”.
A “Educação Infantil dos Pobres” baseia-se na concepção de que as crianças das classes trabalhadoras têm deficiências de todos os tipos (nutricionais, culturais, cognitivas, etc.), as quais precisam ser compensadas pela escola, a fim de que, no futuro, as crianças possam ter alguma instrução e, assim, desempenhar o seu papel na sociedade: o de trabalhador.
As mães da classe trabalhadora precisam de algum lugar onde possam deixar seus filhos durante o dia, e para isto foram criadas as creches e pré-escolas públicas, local onde as crianças poderiam suprir as carências provenientes do seu meio ambiente social. Visto que tais crianças são consideradas muito “carentes”, qualquer atendimento dado a elas é satisfatório, pois já pode ser visto como uma melhoria nos estímulos que recebem no seu meio ambiente natural.
Deste modo, cria-se um atendimento na Educação Infantil onde encontramos: classes superlotadas, poucos adultos para atender a um número grande de crianças; espaços físicos improvisados e inadequados, onde as crianças não podem se movimentar livremente (porque o espaço é pequeno e/ou perigoso), bem como não encontram estímulos ou desafios; despreocupação com os aspecto essenciais da Educação Infantil, o educar e o cuidar (indissociáveis um do outro), afinal, a criança está ali apenas para que a sua mãe possa trabalhar; adultos que atuam junto às crianças, com pouca ou nenhuma formação pedagógica, já que não são considerados como educadores, mas como babás.
Do outro lado, temos a “Educação Infantil dos Ricos”. Ela também foi criada devido à necessidade que as mulheres/mães, hoje em dia, têm de trabalhar fora de casa, mas apresenta concepções e práticas diferentes. Os pais, neste caso, pagam caro para que as crianças freqüentem as “escolinhas”, por isto as instituições esforçam-se para atender aos anseios das famílias, que esperam garantir a melhor educação possível para os filhos, preparando-os para as provas que o futuro reserva, como o vestibular e o mercado de trabalho.
Aqui a Educação Infantil tem a função de preparar a criança para o ingresso, com sucesso, na primeira série do Ensino Fundamental. Por isto é preciso desenvolver as habilidades cognitivas: treina-se a coordenação motora; ensina-se a criança para reconhecer e copiar letras e números; e, a fim de promover a boa saúde das crianças, ensina-se hábitos de higiene e boas maneiras. As escolas têm infra-estrutura muito rica, com piscinas, quadras de esportes e salas de informática, além de estarem sempre limpas, e com murais enfeitados.
Para mostrar o desenvolvimento dos alunos, as escolas procuram organizar eventos para as famílias, como festas onde as crianças apresentam números artísticos, acerca de temas relativos às “Datas Comemorativas”. Ou realizam reuniões pedagógicas onde entregam aos pais os “trabalhinhos” das crianças: tarefas mimeografadas, o livro didático preenchido, e as atividades artísticas, além de relatórios sobre as crianças (sob a forma descritiva ou folhas do tipo questionário de múltipla escolha, preenchidos pelo professor).
Entretanto, podemos perguntar: Serão estas propostas pedagógicas suficientes para garantir o direito das criança a uma Educação Infantil que estimule o seu desenvolvimento integral? Em busca de respostas, encontramos algumas pistas, por exemplo, na concepção do psicanalista Winnicott:
“A função da escola maternal não é ser um substituto para uma mãe ausente, mas suplementar e ampliar o papel que, nos primeiros anos da criança, só a mãe desempenha. Uma escola maternal, ou jardim de infância, será possivelmente considerada, de modo mais correto, uma ampliação da família ‘para cima’, em vez de uma extensão ‘para baixo’ da escola primária.”
(WINNICOTT, 1982, p. 214)
A Educação Infantil surgiu quando as mulheres precisaram buscar seu espaço no mercado de trabalho. Por isso, a educação das crianças de 0 a 6 anos desempenha um importante papel social. Entretanto, não pode ser considerada substituta das mães, o que acarreta uma confusão de papéis acerca da função da Educação Infantil. Por um lado, provoca uma desvalorização dos profissionais que atuam neste nível de ensino; considerando-se que estes educadores não precisam de uma sólida formação teórico-prática, basta que saibam cuidar adequadamente do bem-estar físico das crianças, evitando sujeira, doença ou bagunça. Por outro lado, considera-se que esta é uma “extensão para baixo” da escola fundamental, onde as crinças devem ser treinadas para o acesso à primeira série. Os educadores, desta forma, também não precisam de sólida formação (são menos qualificados que os de outros níveis de ensino), e devem ser mais sóbrios na relação com as crianças, para facilitar a adaptação destas na 1ª série.
Winnicott aponta um caminho diferente. Quando afirma que a Educação Infantil seria melhor considerada uma “ampliação para cima da família”, o autor pretende apontar para o fato de que, ao entrar na escola, a criança não deixa de lado a vida afetiva (centrada sobretudo na mãe) que vivia no lar. Ao contrário, ela está ali para ampliá-la, relacionando-se com os educadores e com outras crianças, de diversas idades, com valores culturais e familiares diferentes dos seus. É importante, também, ressaltar que qualquer aprendizagem está intimamente ligada à vida afetiva. Por tanto não cabe à escola minimizar esta vida afetiva, mas sim ampliá-la, criando um ambiente sócio-afetivo saudável para a criança na escola.
Acerca destas tarefas de socialização, de natureza sobretudo afetiva, podemos, também, acrescentar:
“As tarefas das crianças pequenas nas creches e pré-escolas são muitas e de grande importância para o seu desenvolvimento cognitivo e emocional, e o principal instrumento de que utilizam são as brincadeiras. Nesses locais, elas têm de aprender a brincar com as outras, respeitar limites, controlar a agressividade, relacionar-se com adultos e aprender sobre si mesmas e seus amigos, tarefas estas de natureza emocional.
(...)
O fundamental para as crianças menores de seis anos é que elas se sintam importantes, livres e queridas.”
(LISBOA, 2001)
Entretanto, a Educação Infantil não se restringe ao aspecto social e afetivo, embora eles sejam de fundamental importância para garantir as demais aprendizagens. Porém, qual tipo de organização pedagógica poderá permear estas aprendizagens? Novamente o Dr. Antônio márcio Lisboa, pediatra, pode contribuir para a nossa resposta:
“A escola dos pequeninos em de ser um ambiente livre, onde o princípio pedagógico deve ser o respeito à liberdade e à criatividade das crianças. Nela, os pequeninos devem poder se locomover, ter atividades criativas que permitam sua auto suficiência, e a desobediência e a agressividade não devem ser coibidas e, sim, orientadas, por serem condições necessárias ao sucesso das pessoas.”
(LISBOA, 1998, p. 15)
Entendemos que a organização do trabalho pedagógico na Educação Infantil deve ser orientada pelo princípio básico de procurar proporcionar, à criança, o desenvolvimento da autonomia, isto é, a capacidade de construir as suas próprias regras e meios de ação, que sejam flexíveis e possam ser negociadas com outras pessoas, sejam eles adultos ou crianças. Obviamente, esta construção não se esgota no período dos 0 aos 6 anos de idade, devido às próprias características do desenvolvimento infantil. Mas tal construção necessita ser iniciada na Educação Infantil.
Consideramos que a Educação Infantil tradicional não procura desenvolver a autonomia, mas sim a heteronomia, ou seja, a dependência, da criança, de regras e meios de ação ditados pelo adulto. A heteronomia é característica do pensamento das crinças de 0 a 6 anos, entretanto, a escola tradicional a reforça. A criança, neste modelo pedagógico, deve sempre esperar a ordem do adulto: ver o modelo do exercício mimeografado antes de fazê-lo; ver a maneira correta de realizar um trabalho manual antes de iniciá-lo; esperar que o adulto resolva o conflito com a outra criança (premiando uma das partes e repreendendo a outra); esperar a ordem para que possa levantar-se da cadeirinha e movimentar-se (como o adulto pede), como bem relata Lisboa:
“Chega ao colégio e – surpresa! – pedem-lhe que faça um navio. A coisa que ele mais gosta: desenhar. Faz um navio lindo, redondo como a lua, cheio de árvores no interior e com dois bichos nadando – elefantes, diz ele. A professora olha a obra de arte, pergunta o que é e recebe a resposta: ‘Um navio!’ Carinhosamente, a professora vai até o quadro e desenha um navio clássico, com velas, proa e popa, um digno navio de adulto, e diz: ‘João Paulo, isto é um navio e elefante não nada!’ João Paulo havia feito um navio original, diferente dos outros, lindo, nunca feito por alguém. Havia criado o primeiro navio redondo, e a professora, que seguramente não havia lido O Pequeno Príncipe, deu-lhe uma lição de como as pessoas devem ser bitoladas desde criancinhas.”
(LISBOA, 1998, p. 15)
Certamente, este não é o melhor modelo pedagógico, se pretendemos o desenvolvimento integral e a construção da autonomia infantil. Para que a criança possa alcançar estes objetivos o modelo pedagógico deve proporcionar-lhe situações em que ela possa vivenciar as mais diversas experiências, fazer escolhas, tomar decisões, socializar conquistas e descobertas. Vale ressaltar que não se trata de um trabalho espontaneísta, onde o adulto não organiza objetivamente as atividades oferecidas às crianças, assumindo um papel de mero espectador, que observa e espera o desenvolvimento dos pequeninos.
Trata-se de uma organização do trabalho pedagógico em que o adulto/educador e as crianças têm, ambos, papéis ativos. Cabe ao educador pesquisar e conhecer o desenvolvimento infantil a fim de poder organizar atividades onde a criança possa experimentar situações as mais diversas, que possam lhe proporcionar, como veremos no quadro que se segue:

OBJETIVOS NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Ø Ø Sentir-se segura e acolhida no ambiente escolar, utilizando este novo espaço para ampliar suas relações sociais e afetivas, estabelecendo vínculos com as crianças e adultos ali presentes, a fim de construir uma imagem positiva sobre si mesma e sobre os outros, respeitando a diversidade e valorizando sua riqueza.
Ø Ø Tornar-se, cada vez mais, capaz de desenvolver as atividades nas quais se engaja de maneira autônoma, e em cooperação com outras pessoas, crianças e adultos. Desta forma, desenvolver a capacidade de começar a coordenar pontos de vista e necessidades diferentes dos seus, socializando-se.
Ø Ø Interagir com o seu meio ambiente (social, cultural, natural, histórico e geográfico) de maneira independente, alerta e curiosa. Isto é, estabelecendo relações e questionamentos sobre o meio ambiente, os conhecimentos prévios de que dispõe, suas idéias originais e as novas informações que recebe.
Ø Ø Apropriar-se dos mais diferentes tipos de linguagem construídos pela humanidade (oral, escrita, matemática, corporal, plástica e musical), de acordo com as suas capacidade e necessidades, utilizando-as para expressar o seu pensamento e as suas emoções, a fim de compreender e comunicar-se com as outras crianças e os adultos.
Assim sendo, o educador precisa ter em mente estes objetivos, a fim de avaliar as atividades que ele planeja e as suas próprias atitudes, observado se elas proporcionam às crianças meios de alcançar estes objetivos. Deve também, atuar de maneira extremamente próxima às crianças, sendo um mediador para que elas alcancem os objetivos propostos. E, também, deve avaliar o desenvolvimento do grupo onde atua e de cada criança, em particular, sem, porém, jamais compará-las umas às outras, compreendendo que cada uma delas carrega histórias de vida e ritmos de desenvolvimento próprios.
Currículo vivo: a organização do trabalho pedagógico na Educação Infantil.
Toda instituição de educação possui um currículo, e desenvolve a organização do trabalho pedagógico baseando-se nele. Por vezes, este currículo pode estar registrado num documento formal, mas, na realidade, a maior expressão do currículo encontra-se na prática pedagógica diária, realizada em cada sala de aula (ou fora dela, em outros espaços pedagógicos oferecidos pela escola).
Acreditamos que o currículo da Educação Infantil manifesta-se concretamente através das atividades planejadas pelos educadores e oferecidas às crianças. Por esta razão, consideramos essencial analisar as modalidades de planejamento presentes na Educação Infantil. No planejamento, o educador expressa os objetivos de sua prática educativa, os métodos utilizados e a modalidade de avaliação adotada. Segundo Ostetto (2000, p. 175-200), os modelos mais comuns de planejamento adotados nas instituições de Educação Infantil brasileiras são:
Þ Þ Listagem de Atividades: consiste em listar as atividades a serem cumpridas durante os vários momentos da rotina, o que geralmente proporciona longos momentos de espera, pela criança, entre uma atividade e outra, sendo que estas são planejadas pelo adulto que a atende, sem que exista muita expectativa deste em atender às necessidades da criança. Por isto a concepção de avaliação restringe-se às expectativas do adulto referentes ao “bom comportamento” das crianças. Afinal, este não espera que as atividades oferecidas proporcionem algum tipo de desenvolvimento às crianças; espera apenas que a criança cumpra as tarefas propostas, preenchendo o tempo durante o qual ela permanece na instituição, sem causar distúrbios, como brigas, bagunça, sujeira, barulho, etc.
Þ Þ Datas Comemorativas: geralmente composto por festejos dedicados a marcar as várias datas do calendário comemorativo (Carnaval, Páscoa, Dia das Mães, etc.). Pode, muitas vezes, reforçar preconceitos e estereótipos, pois baseia-se na concepção de história sob a ótica do vencedor. (Ninguém “comemora” os derrotados.) Também contribui para a estereotipia o fato de que as datas praticamente se atropelam, restando pouco tempo para que a sua origem seja realmente aprofundada e compreendida. Tomemos, como exemplo, o mês de abril: Páscoa, Tiradentes, Descobrimento, aniversário de Brasília... Será possível realmente compreender o significado de cada uma delas? O conhecimento torna-se, muitas vezes, fragmentado e repetitivo (afinal, todos os anos são “comemoradas” as mesmas datas). O objetivo das comemorações seria fornecer informações às crianças. Por exemplo, em relação ao “Dia do Índio”: espera-se que a criança compreenda que eles foram os primeiros habitantes do Brasil, que vivem em aldeias, que moram em ocas, etc. Como as crianças são ainda pequenas, as informações são “simplificadas” para que elas possam memorizá-las no curto espaço de tempo destinado a cada comemoração. Assim, acabam transmitindo concepções, muitas vezes, equivocadas. Voltando ao exemplo do Dia do Índio: não se informa às crianças que existem várias aldeias indígenas no Brasil, que cada uma tem costumes e culturas muito ricos e diversos, nem sobre o massacre a que os colonizadores portugueses submeteram esta população. Quanto à avaliação, vemos uma maior preocupação com a verificação da transmissão de conteúdos, que devem ser reproduzidos pelas crianças nas mais diversas atividades (construir com sucata a oca do índio, de acordo com o modelo trazido pela professora; desenhar o índio com tanga, cocar e segurando o arco-e-flecha; copiar a palavra índio, dentre outras).
Þ Þ Planejamento baseado em aspectos do desenvolvimento: influenciado pela Psicologia do Desenvolvimento, este tipo de planejamento procura contemplar todas as áreas do desenvolvimento infantil (psicomotor, afetivo, cognitivo, social, etc.). As atividades são selecionadas de acordo com o valor que possam ter para o desenvolvimento da criança. Se, por um lado, procura observar a criança como um todo, por outro, peca por vê-la como um ser ideal, situado numa faixa de presumível “normalidade”, e não considera o contexto sócio-histórico onde ela se encontra inserida. Assim sendo, podem haver conflitos nos critérios de avaliação: A criança será avaliada de acordo com as expectativas ideais, descritas nos compêndios de Psicologia, ou será avaliada levando-se em conta, também, os aspectos sócio-históricos que marcam sua vida? Não negamos as contribuições da Psicologia à Educação Infantil. é essencial que o profissional de Educação Infantil compreenda o desenvolvimento social, afetivo, psicomotor e cognitivo da criança. Entretanto, ele deve considerar que este desenvolvimento dá-se em ritmos diversos, de acordo com a história de vida da criança, e com as possibilidades oferecidas pelo seu meio ambiente, sem que variações nesse ritmo sejam vistam como “atrasos” ou “deficiências”. A avaliação não deve apenas identificar tais problemas, mas apontar soluções, caminhos e possibilidades de atuação pedagógica, para que a criança possa vir a superá-los, com o auxílio dos educadores.
Þ Þ Temas Geradores/Centros de Interesse: são elencados temas semanais, supostamente interligados um ao outro, para serem trabalhados em todas as turmas de uma instituição. Partem do pressuposto de que os “temas” despertariam os interesses de todas as turmas envolvidas, do “maternal” ao “pré”. O objetivo deste modelo pedagógico seria ampliar os conhecimentos das crianças, alargando o seu universo cultural. Entretanto, o profissional de Educação Infantil pode encarar o trabalho com temas de diversas maneiras: Num modelo tradicional, o adulto/professor, escolhe o tema a ser trabalhado pela classe, e espera que, nas avaliações (realizadas pela observação em todas as atividades desenvolvidas) a criança reproduza aquilo que aprendeu. Por exemplo, se o tema gerador foi “Animais”, é esperado que a criança saiba dar informações sobre os hábitos de diversos animais, classificando-os de acordo com os critérios repassados pelo adulto, tais como “animais que vivem na terra”, “animais que vivem na água”, “animais que voam” e assim por diante, sem levar em conta que as crianças podem vir a criar critérios muito diferentes para classificá-los. Já numa visão identificada com a pedagogia escolanovista, as crianças têm um papel mais ativo, e maior possibilidade de expor suas próprias idéias. Os temas nem sempre são impostos ao grupo de crianças pelo professor, ou pela coordenação pedagógica, mas partem da sua curiosidade natural, observada pelo educador. Entretanto, por ater-se apenas aos “interesses” dos alunos, neste caso o educador pode pouco contribuir para que as crianças ampliem o seu mundo e seus conhecimentos.
Þ Þ Conteúdos/Áreas de Conhecimento: podemos citar como exemplo deste tipo de planejamento o “Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil” (RCNEI) e o “Currículo para a Educação Básica no DF – Educação Infantil/4 a 6 anos”, pois ambos dividem as atividades a serem desenvolvidas “Formação Pessoal e Social”, “Conhecimento de Mundo”, “Linguagem Oral e Escrita”, “Conhecimento Lógico-Matemático” e “Natureza e Sociedade”. Destacamos que este tipo de trabalho surgiu como uma oposição à pré-escola assistencialista, baseada na concepção de educação compensatória (KRAMER, 1995). Vale, ainda, registrar que, na exacerbação deste modelo de planejamento, a Educação Infantil pode vir a copiar a divisão por disciplinas do Ensino Fundamental, tornando-se uma espécie de “cursinho preparatório” para o ingresso na 1ª série, copiando, também, o modelo de avaliação do Ensino Fundamental: avaliação por disciplinas, a qual, ainda que seja realizada durante o processo, observando o desenvolvimento da crianças nas diversas atividades, propostas pela rotina da instituição educativa, não considera a inter-relação que existe entre os diversos eixos do conhecimento e do desenvolvimento infantil.
Þ Þ Projetos de Trabalho: o projeto de trabalho parte dos interesses e necessidades apresentados pelos próprios alunos; por isso, nem sempre todas as turmas de uma escola desenvolverão o mesmo projeto. Desse modo, respeita-se as características de cada grupo, bem como as particularidades de cada indivíduo, levando-se em conta o contexto sócio-histórico onde estes estão inseridos. Quando é adotado o planejamento através de projetos, a avaliação apresenta-se mais integrada ao planejamento. Isto porque os temas, datas, etc., não são elencados previamente pelo adulto, seja ele o professor ou o coordenador pedagógico, sem que eles conheçam a realidade concreta das crianças. Nem atendem apenas aos interesses naturais que os adultos constatam pela observação das ações espontâneas das crianças. O projeto parte de uma proposta que os educadores definem após um contato inicial com as crianças e o seu meio ambiente (social, cultural, histórico, geográfico), procurando atender às necessidades constatadas. Entretanto, ele é um planejamento mais flexível. Sua duração de tempo não é predeterminada com rigidez; não é um tema que deve “durar uma semana”, ou uma data a ser festejada apenas na sua época. E seu andamento, as atividades propostas às crianças, dependem da observação e reavaliação constantes do trabalho pedagógico, feitas pelo educador. As crianças têm oportunidade de sugerirem rumos diferente para o seu planejamento, nas “rodas de conversa” em que o educador e seus colegas de sala escutam seus relatos e idéias. O educador conduz o processo pedagógico, mas sempre avaliando, ouvindo e observando as crianças junto às quais atua, visando o seu desenvolvimento integral.
No cotidiano da Educação Infantil, todos esses modelos de planejamento coexistem: em maior ou menor grau; com maior ou menor, harmonia; sendo quase impossível distingui-los. Entretanto, uma das modalidades de planejamento acaba sendo a principal, e, ao optar por adotá-la, o educador expressa a sua escolha por um modelo pedagógico.
Como já afirmamos anteriormente, o nosso modelo pedagógico de Educação Infantil visa o desenvolvimento integral e a construção da autonomia infantil. Por esta razão, optamos pela Pedagogia de Projetos (projetos de trabalho), por consideramos que ela possibilita, ao professor e às crianças, um papel ativo na construção do planejamento e do projeto político-pedagógico que ele possibilita.
Isto ocorre porque os temas abordados nos projetos não são determinados pela coordenação pedagógica, direção do estabelecimento de ensino ou documentos oficiais – o que tornaria o educador, que está na sala de aula, um passivo executor de planejamentos alheios a ele e à sua turma de crianças. Nem são definidos somente pelo educador/adulto, o que tornaria as crinças/alunos passivos diante do professor. Mas são definidos pelas crianças e adultos/educadores em conjunto, atendendo à suas expectativas, curiosidades e necessidades, procurando alcançar os objetivos que propusemos anteriormente.
A fim de possibilitar às crinças um ambiente onde elas possam pesquisar e expressar os temas que desejam abordar nos projetos, o educador deve, desde o início do ano letivo, organizar o espaço pedagógico (a sala de aula, demais espaços da escola, e outros espaços que a comunidade possa oferecer), proporcionando diversas experiências às crianças. Afinal, os temas não surgirão apenas da “espontaneidade” das crianças, mas de sua interação com um meio ambiente rico e estimulante. Denominamos esta organização do espaço pedagógico de rotina, e consideramos que, dentre inúmeras possibilidades, a rotina deve oferecer às crianças momentos onde elas possam desenvolver as atividades sugeridas no quadro que se segue:
ROTINA NA EDUCAÇÃO INFANTIL
Hora da Roda
Este momento é presente na rotina de diversas instituições de Educação Infantil, e, podemos afirmar, é um dos mais importantes para a organização do trabalho pedagógico e o desenvolvimento das crianças. Na roda, o professor recebe as crianças, proporcionando sensações como acolhimento, segurança e de pertencer àquele grupo, aos pequenos que vão chegando. Para tal, pode utilizar jogos de mímica, músicas e mesmo brincadeiras tradicionais, como “andoleta” e “corre-cotia”, promovendo um verdadeiro “ritual” de chegada. Após a chegada, o educador deve organizar a roda de conversa, onde as crianças podem trocar idéias e falar sobre suas vivências. Aqui cabe ao educador organizar o espaço, para que todos os que desejam possam falar, para que todos estejam sentados de forma que possam verem-se uns aos outros, além de fomentar as conversas, estimulando as crianças a falarem, e promovendo o respeito pela fala de cada um. Através das falas, o professor pode conhecer cada um de seus alunos, e observar quais são os temas e assuntos de interesse destas. Na roda, o educador pode desenvolver atividades que estimulam a construção do conhecimento acerca de diversos códigos e linguagens, como, por exemplo, marcação do dia no calendário, brincadeiras com crachás contendo os nomes das crinças, jogos dos mais diversos tipos (visando apresentá-los às crianças para que, depois, possam brincar sozinhas) e outras. Também na roda deverão ser feitas discussões acerca dos projetos que estão sendo trabalhados pela classe, além de se apresentar às crinças as atividades doa dia, abrindo, também, um espaço para que elas possam participar do planejamento diário. O tempo de duração da roda deve equilibrar as atividades a serem ali desenvolvidas e a capacidade de concentração/interação das crianças neste tipo de atividade.
Hora da Atividade
Neste momento da rotina, o professor organizará atividades onde a criança, através de ações (mentais e concretas) poderá construir conhecimentos de diferentes naturezas: Conhecimentos Físicos (cuja fonte é a observação e interação com os mais diversos objetos, explorando as suas propriedades); Conhecimentos Lógico-Matemáticos (resultado de ações mentais e reflexões sobre os objetos, estabelecendo relações entre eles), e Conhecimentos Sociais (de natureza convencional e arbitrária, produzidos pelo homem ao longo da historia – a cultura. Por exemplo, a leitura e a escrita, e conhecimentos relacionados à Geografia, à história e a parte das Ciências Naturais). As atividades que proporcionam a construção destes tipos de conhecimentos podem estar ligadas aos temas dos projetos desenvolvidos pela classe, ou podem ser resultado do planejamento do professor, criando uma seqüência de atividades significativas. A organização da sala de aula , para o desenvolvimento de tais atividades, deve proporcionar às crianças a possibilidade de trocarem informações umas com as outras, e de se movimentarem, e de atuarem com autonomia. Assim sendo, é importante que a disposição dos móveis e objetos na sala torne possível: que as crianças sentem em grupos, ou próximas umas das outras; que haja espaço para circulação na sala de aula e que os materiais que as crinças necessitarão para desenvolver as atividades estejam ao seu alcance, e com fácil acesso. Estas atividades também podem ser realizadas em espaços fora da sala de aula, como. Por exemplo, se a turma está desenvolvendo um projeto sobre insetos, pode dar uma volta no jardim da escola, à procura de exemplares para o seu “Insetário”. De qualquer modo, é necessário que o professor planeje as atividades oferecidas, que forneça às crianças os materiais necessários para a sua realização e, sobretudo, esteja presente, ouvindo as crianças e auxiliando-as, pois somente assim ele poderá compreender o desenvolvimento das crianças e planejar atividades cada vez mais adequadas às necessidades delas. Para realizar este acompanhamento, o professor pode planejar e oferecer ao grupo atividades diversificadas, em que cada criança escolhe, dentre as várias atividades disponíveis, em qual se engajará primeiro.
Artes Plásticas
O trabalho com artes plásticas na Educação Infantil visa ampliar o repertório de imagens das crianças, estimulando a capacidade destas de realizar a apreciação artística e de leitura dos diversos tipos de artes plásticas (escultura, pintura, instalações). Para tal, o professor pode pesquisar e trazer, para a sala de aula, diversas técnicas e materiais, a fim de que as crianças possam experimentá-las, interagindo com elas a seu modo, e produzindo as suas próprias obras, expressando-se através das artes plásticas. Assim, elas aumentarão suas possibilidades de comunicação e compreensão acerca das artes plásticas. Também poderão conhecer obras e histórias de artistas (dos mais diversos estilos, países e momentos históricos), apreciando-as e emitindo suas idéias sobre estas produções, estimulando o senso estético e crítico.
Hora da História
Podemos dizer que o ato de contar histórias para as crianças está presente em todas as culturas, letradas ou não letradas, desde os primórdios do homem. As crinças adoram ouvi-las, e os adultos podem descobrir o enorme prazer de contá-las. Na Educação Infantil, enquanto a criança ainda não é capaz de ler sozinha, o professor pode ler para ela. Quando já é capaz de ler com autonomia, a criança não perde o interesse de ouvir histórias contadas pelo adulto; mas pode descobrir o prazer de contá-las aos colegas. Enfim, a “Hora da História” é uma momento valioso para a educação integral (de ouvir, de pensar, de sonhar) e para a alfabetização, mostrando a função social da escrita. O professor pode organizar este momento de diversas maneiras: no início ou fim da aula; incrementando com músicas, fantasias, pinturas; organizando uma pequena biblioteca na sala; fazendo empréstimos de livros para que as crianças leiam em casa, enfim, há uma infinidade de possibilidades.
Hora da Brincadeira
Brincar é a linguagem natural da criança, e mais importante delas. Em todas as culturas e momentos históricos as crianças brincam (mesmo contra a vontade dos adultos). Todos os mamíferos, por serem os animais no topo da escala evolutiva, brincam, demonstrando a sua inteligência. Entretanto, há instituições de Educação Infantil onde o brincar é visto como um “mal necessário”, oferecido apenas por que as crianças insistem em fazê-lo, ou utilizado como “tapa-buraco”, para que o professor tenha tempo de descansar ou arrumar a sala de aula. Acreditamos que a brincadeira é uma atividade essencial na Educação Infantil, onde a criança pode expressar suas idéias, sentimentos e conflitos, mostrando ao educador e aos seus colegas como é o seu mundo, o seu dia-a-dia. A brincadeira é, para a criança, a mais valiosa oportunidade de aprender a conviver com pessoas muito diferentes entre si; de compartilhar idéias, regras, objetos e brinquedos, superando progressivamente o seu egocentrismo característico; de solucionar os conflitos que surgem, tornando-se autônoma; de experimentar papéis, desenvolvendo as bases da sua personalidade. Cabe ao professor fomentar as brincadeiras, que podem ser de diversos tipos. Ele pode fornecer espelhos, pinturas de rosto, fantasias, máscaras e sucatas para os brinquedos de faz-de-conta: casinha, médico, escolinha, polícia-e-ladrão, etc. Pode pesquisar, propor e resgatar jogos de regra e jogos tradicionais: queimada, amarelinha, futebol, pique-pega, etc. Pode confeccionar vários brinquedos tradicionais com as crianças, ensinando a reciclar o que seria lixo, e despertando o prazer de confeccionar o próprio brinquedo: bola de meia, peteca, pião, carrinhos, fantoches, bonecas, etc. Pode organizar, na sala de aula, um cantinho dos brinquedos, uma “casinha” além de, é claro, realizar diversas brincadeiras fora da sala de aula. Além disso, as brincadeiras podem despertar projetos: pesquisar brinquedos antigos, fazer uma Olimpíada na escola, ou uma Copa do Mundo, etc.
Hora do Lanche/Higiene
Devemos lembrar que comer não é apenas uma necessidade do organismo, mas também uma necessidade psicológica e social. Na Bíblia, por exemplo, encontramos dezenas de situações em que Jesus compartilhava refeições com seus discípulos, fato que certamente marcou nossa cultura. Em qualquer cultura os adultos (e as crianças) gostam de realizar comemorações e festividades marcadas pela comensalidade (comer junto). Por isso, a hora do lanche na Educação Infantil não deve atender apenas às necessidades nutricionais das crianças, mas também às psicológicas e sociais: de sentir prazer e alegria durante uma refeição; de partilhar e trocar alimentos entre colegas; de aprender a preparar e cuidar do alimento com independência; de adquirir hábitos de higiene que preservam a boa saúde. Por isto, a hora do lanche também deve ser planejada pelo professor. A disposição dos móveis deve facilitar as conversas entre as crinças; devem haver lixeiras e material de limpeza por perto para que as crianças possam participar da higiene do local onde será desfrutado o lanche (antes e depois dele ocorrer); deve haver uma cesta onde as crianças possam depositar o lanche que desejam trocar entre si (estimulando a socialização e, ao mesmo tempo, o cuidado com a higiene). Além disso, é importante que o professor demonstre e proporcione às crianças hábitos saudáveis de higiene antes e depois do lanche (lavar as mãos, escovar os dentes, etc.). O lanche também pode fazer parte dos projetos desenvolvidos pela turma: pesquisar os alimentos ais saudáveis, plantar uma horta, fazer atividades de culinária, produzir um livro de receitas, fazer compras no mercado para adquirir os ingredientes de uma receita, dentre outras, são atividades às quais o professor pode dar uma organização pedagógica que possibilite às crinças participar ativamente, e elaborar diversos projetos junto com a turma.
Atividades Físicas/Parque
Fanny Abramovich lembra-nos, com muito humor, o papel usualmente atribuído ao movimento nas nossas escolas: “Não se concebe que o aluno sequer possua um corpo. Em movimento permanente. Que encontre respostas através de seus deslocamentos. Um corpo que é fonte e ponte de aprendizagens, de reconhecimentos, de constatações, de saber, de prazer. Basicamente, possui cabeça (para entender o que é dito) e mão (para anotar o que é dito). Portanto, pode e deve ficar sentado o tempo todo da aula. Breves estiramentos, andadelas rápidas, podem ser efetuadas nos intervalos. No mais, os braços são úteis para segurar livros/cadernos/papéis e pés e pernas se satisfazem ao ser selecionados para levantar/perfilar/sair. E basta.” (ABRAMOVICH, 1998, p. 53) Na Educação Infantil, o principal objetivo do trabalho com o movimento e expressão corporal é proporcionar à criança o conhecimento do próprio corpo, experimentando as possibilidades que ele oferece (força, flexibilidade, equilíbrio, entre outras). Isto proporcionará a ela integrá-lo e aceitá-lo, construindo uma auto-imagem positiva e confiante. Para isso o professor deve proporcionar atividades, fora e dentro da sala de aula, onde a criança possa se movimentar. Alongamentos, ioga, circuitos, brincadeiras livres, jogos de regras, tomar banho de mangueira, subir em árvores... são diversas as possibilidades. O professor deve organizá-las e planejá-las, mas sempre com um espaço para a invenção e colaboração da criança. O momento do parque também assume uma conotação diferente. Não é apenas um intervalo para descanso das crianças e dos professores. É mais um momento de desafio, afinal, há aparelhos, árvores, areia, baldinhos e pás, pneus, cordas, bolas, bambolês e tantas brincadeiras que esses materiais oferecem. O professor deve estar próximo, auxiliando e estimulando a criança a desenvolver a sua motricidade e socialização, ajudando, também, a resolver os conflitos que surgem nas brincadeiras quando, porventura, as crianças não forem capazes de solucioná-los sozinhas.
Atividades Extra-Classe
(Interação com a comunidade)
A sala de aula e o espaço físico da escola não são os únicos espaços pedagógicos possíveis na Educação Infantil. Em princípio, qualquer espaço pode tornar-se pedagógico, dependendo do uso que fazemos dele. Praças, parques, museus, exposições, feiras, cinemas, teatros, supermercados, exposições, galerias, zoológicos, jardins botânicos, reservas ecológicas, ateliês, fábricas e tantos outros. O professor deve estar atento à vida da comunidade e da cidade onde atua, buscando oportunidades interessantes, que se relacionem aos projetos desenvolvidos na classe, ou que possam ser o início de novos projetos. Isto certamente enriquecerá e ampliará o projeto político-pedagógico da instituição, que não precisa ser confinando à área da escola. Podem haver até mesmo intercâmbios com outras instituições educacionais.
Obs.: Quadro baseado em DEVIRES e ZAN (1998). Utilizamos algumas terminologias das autoras, acrescentando elementos da nossa própria prática pedagógica.
A rotina é um elemento importante da Educação Infantil, por proporcionar à criança sentimentos de estabilidade e segurança. Também proporciona à criança maior facilidade de organização espaço-temporal, e a liberta do sentimento de estresse que uma rotina desestruturada pode causar. Entretanto, como vimos, a rotina não precisa ser rígida, sem espaço para invenção (por parte dos professores e das crianças). Pelo contrário a rotina pode ser rica, alegre e prazerosa, proporcionado espaço para a construção diária do projeto político-pedagógico da instituição de Educação Infantil. Vale, ainda, lembrar que “a dinâmica de um grupo de crianças é maior que a rotina da creche” (BATISTA, 2001). Isto é, a rotina aqui proposta é apenas uma sugestão, pois a melhor rotina para cada grupo de crianças só pode ser estabelecida pelo seu professor, no contato diário com as crianças.
Avaliação na Educação Infantil: o adulto como um dos mediadores do desenvolvimento infantil.
Nenhuma proposta de organização do trabalho pedagógico está completa sem expressar sua concepção sobre avaliação. Afinal, a forma como os educadores realizam suas avaliações sobre os alunos expressam, em último grau, a sua concepção de educação. Seja como uma educação repressora e bancária, onde o professor deposita o conhecimento, que o aluno deve reproduzir. Ou como uma educação progressista e democratizadora, voltada para o pleno desenvolvimento do ser humano, de sua consciência crítica, de sua capacidade de ação e reação. Nesta última visão a avaliação não tem a função de medir, comparar, classificar, e aprovar/reprovar, excluindo aqueles que não chegam ao padrão preestabelecido. Mas a função de proporcionar ao professor uma melhor compreensão sobre a aprendizagem dos alunos, avaliando constantemente o trabalho pedagógico por ele oferecido aos alunos, a fim de poder superar as dificuldades encontradas. É esta a concepção que defendemos.
No que se refere à Educação Infantil, esta postura avaliativa significa a adoção de “posturas contrárias à constatação e registro de resultados alcançados pela criança a partir de ações dirigidas pelo professor, buscando, ao invés disso, ser coerente à dinâmica do seu processo de desenvolvimento, a partir do acompanhamento permanente da ação da criança e da confiança na evolução do seu pensamento. Tal postura avaliativa mediadora parte do princípio de que cada momento de sua vida representa uma etapa altamente significativa e precedente as próximas conquistas, devendo ser analisado no seu significado próprio e individual em termos de estágio evolutivo de pensamento, de suas relações interpessoais. E percebe-se, daí, a necessidade do educador abandonar listagens de comportamentos uniformes, padronizados, e buscar estratégias de acompanhamento da história que cada criança vai constituindo ao longo de sua descoberta do mundo. Acompanhamento no sentido de mediar a sua ação, favorecendo-lhe desafios, tempo, espaço e segurança em suas experiências.” (HOFFMANN, 1996, p. 24)
Esta proposta de avaliação concebe o professor/adulto como mediador. Isto significa que não é esperado que, na avaliação, a criança reproduza os conhecimentos que o professor transmitiu. Pois aqui o professor não é a única “fonte” de conhecimento. O conhecimento surge da relação que a criança estabelece com as outras crianças (de diferentes idades), com os adultos (pais, professores, e outros) com o meio ambiente e com a cultura. Por tanto, ela jamais irá reproduzir uma informação recebida, mas sim irá fazer a leitura desta informação, de acordo com os recursos de que dispõe. O professor, as outras crianças, o meio, a cultura, todos estes elementos são agentes mediadores entre a criança e a informação. Entre conhecimento e desenvolvimento. Entre cultura e inovação.
Por isto, não há como avaliar a criança de acordo com expectativas preestabelecidas pelo adulto. Não é possível preencher listas, formulários ou boletins, pois isto tudo significaria comparar e medir, classificando as crianças. O registro da avaliação deve ser o registro da história vivida pela criança, no período descrito. Desta forma podem ser utilizados relatórios descritivos e porta-fólios, por exemplo. Quanto aos relatórios descritivos, estes devem ser elaborados de maneira que “ao mesmo tempo que refaz e registra a história do seu processo dinâmico de construção do conhecimento, sugere, encaminha, aponta possibilidades da ação educativa para pais, educadores e para a própria criança. Diria até mesmo que apontar caminhos possíveis e necessários para trabalhar com ela é o essencial num relatório de avaliação, não como lições de atitudes à criança ou sugestões de procedimentos aos pais, mas sob a forma de atividades a oportunizar, materiais a lhe serem oferecidos, jogos, posturas pedagógicas alternativas na relação com ela.” (HOFFMANN, 1996, p. 53)
Enfim, esta é uma proposta de avaliação em que não apenas a criança é avaliada, mas todo o trabalho pedagógico oferecido a ela também é avaliado, repensado e modificado sempre que necessário. Não é uma avaliação final, pontual, retratando um único momento da criança. Mas uma avaliação processual, que, entretanto, é registrada periodicamente.
Concluindo (por enquanto).
Como afirma o Dr. Lisboa, “O fundamental para as crianças menores de seis anos é que elas se sintam importantes, livres e queridas.” (LISBOA, 2001) Este deve ser o objetivo fundamental de qualquer ação educativa voltada para as crianças de 0 a 6 anos. A organização do trabalho pedagógico visando alcançar estes objetivos pode assumir várias formas, expressas em diferentes métodos. Mas, necessariamente, tem de ser pautada por uma postura de respeito à criança: ao seu ritmo de desenvolvimento, à sua origem social e cultural, às suas relações e vínculos afetivos; à sua expressão (plástica, oral, escrita, em todos os tipos de linguagem) e às suas idéias, desejos e expectativas. Sem, porém, jamais abdicar da procura por ampliar, cada vez mais, este mundo infantil.
Bibliografia
ABRAMOVICH, Fanny. O professor não duvida! Duvida? São Paulo: Gente, 1998.
BATISTA, Rosa. A rotina no dia-a-dia da creche: entre o proposto e o vivido. Trabalho apresentado
na reunião anual da ANPEd, em outubro/2001.
BRASIL. Referencial curricular nacional para a educação infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998.
CUNHA, Suzana R. V. da (org.). Cor, som e movimento: a expressão plástica, musical e dramática
no cotidiano da criança. Porto Alegre: Mediação, 2001.
DEVIRES, Rheta; ZAN, Betty. A ética na educação infantil: o ambiente sócio-moral na escola. Porto
Alegre: Artes Médicas, 1998.
HOFFMANN, Jussara Maria Lerch. Avaliação na pré-escola: um olhar sensível e reflexivo sobre a
criança. Porto Alegre: Mediação, 1996.
KAMII, Constance; DEVRIES, Rheta. Piaget para a educação pré-escolar. Porto Alegre: Artes
médicas, 1991.
KRAMER, Sônia (org.). Com a pré-escola nas mãos: uma alternativa curricular para a educação
infantil. São Paulo: Ática, 1999, 13 ed.
KRAMER, Sônia. A política do pré-escolar no Brasil: a arte do disfarce. São Paulo: Cortez, 1995, 5
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KRAMER, Sônia; SOUZA, Solange Jobim e (org.). Educação ou tutela? A criança de 0 a 6 anos. São
Paulo: Loyola, 1991.
LISBOA, Antônio Márcio Junqueira. Correio Braziliense, 20/04/2001.
LISBOA, Antônio Márcio Junqueira. O seu filho no dia-a-dia: dicas de um pediatra experiente. Vol. 3.
Brasília: Linha Gráfica, 1998.
OSTETTO, Luciana Esmeralda (org.). Encontros e encantamentos na educação infantil: partilhando
experiências de estágios. Campinas, SP: Papirus, 2000.
WINNICOTT, Donald Woods. A criança e o seu mundo. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1982.

Taicy de Ávila Figueiredo
Pedagoga, mestranda em Educação. Professora de Educação Infantil, atuando na Secretaria de Educação do Distrito Federal.
taicy@uol.com.br
Fonte:http://www.psicopedagogia.com.br/novas/educacao_infantil.htm

Adaptação na escola - Osprimeiros dias no colégio

Não interessa a faixa etária, independente da turma ou da idade das crianças, todas elas passam por um período de adaptação, algumas encaram com tanta naturalidade que este acontecimento se torna imperceptível, mas isso não significa que não exista.



O MOMENTO IDEAL DE INGRESSAR NA ESCOLA INFANTIL

Neste aspecto alguns estudiosos divergem. Cora Coralina dizia que a criança jamais deveria freqüentar a escola ou ser afastada da mãe antes da idade escolar (7anos). Há uma outra linha da pedagogia Waldorf que defende que o nascimento da dentição indica o momento certo de freqüentar a escola. Mas é Helen Bee, pesquisadora americana e especialista em desenvolvimento humano, quem afirma em seus estudos que, “Em geral, o efeito positivo das creches parece ser maior para as crianças que ingressam na creche durante o período de bebê.”
Pesquisas realizadas por Bee apontam inúmeros benefícios no desenvolvimento de crianças que freqüentam a escola desde cedo, mas aqualidade do ensino oferecido e o conhecimento prévio das fases do desenvolvimento infantil por parte das educadoras são fatores determinantes para o sucesso. Entre os benefícios podemos citar que, as crianças que freqüentam a escola são mais sociáveis, habilidosas, mais populares e lidam melhor com os companheiros. O único aspecto negativo encontrado pelos estudiosos pesquisados por Bee foi a agressividade.
Algumas crianças que freqüentam a escola apresentam um nível de agressividade maior do que aquelas criadas em casa apenas com o convívio de familiares e adultos, porém, alguns interpretam esta agressividade como uma forma madura da criança lidar com o mundo, de pensar sozinha e ser mais independente sem ficar sempre sob a proteção de um adulto, ou seja, são mais agressivas porque costumam resolver conflitos tendo o adulto como mediador e não como protetor ou alguém que intervém em suas decisões.
Reunindo estudos, Helen Bee pôde pesquisar mais sobre o apego inseguro desenvolvido por algumas crianças. Constatou que, o risco do apego inseguro era um pouco maior para bebês que ingressavam antes de completar 1 ano de idade na escola. Este apego inseguro não aumenta de acordo com o número de horas que a mãe trabalha. Uma mãe que trabalha 40 horas por semana, 20 horas ou 5 não modifica o comportamento da criança. Contudo, o apego inseguro não se relaciona apenas à escola e sim ao vínculo que a mãe e a criança possuem e pode ser gerado pelo estresse materno por exemplo.


Socialização e adaptação da criança na escola de educação infantil

A entrada da mulher no mercado de trabalho e a necessidade de deixar os pequenos em um lugar com maior conhecimento dos processos de desenvolvimento do ser humano são as principais justificativas para a opção de matricular as crianças na escola de educação infantil.
Esta decisão cabe aos pais ou responsáveis que, se não possuírem alguém da família que possa cuidar das crianças, deverão optar por uma babá ou pela escola. O processo de adaptação de uma criança na escola não começa com ela, mas com seus pais, pois a entrada de uma criança na escola representa uma mudança na rotina e na vida, tanto das crianças como de seus familiares e da própria escola que precisa se organizar para acolhe-la, esta adaptação só terá sucesso se as partes envolvidas formarem um elo. Muitos pais estão receosos, inseguros em relação aos cuidados que a escola infantil pode oferecer aos seus filhos, mesmo tendo optado por ela.
É comum mães ficarem inseguras até com relação ao vínculo afetivo que se forma entre educadora/criança/colegas, justamente o que deveria deixa-las ainda mais segura com a escola..
Começa aqui, o primeiro passo da adaptação e socialização da criança na escola infantil. A adaptação dos pais. A única forma de deixar os pais seguros é mostrar a eles que optaram pelo ambiente e pelas pessoas certas para cuidar e educar seus filhos. Nesta parte entra a escola como um todo, diretores, educadores, psicóloga, nutricionista e demais funcionários, mas principalmente, a pessoa encarregada de fazer acoordenação pedagógica, porque nesta etapa ela mostrará aos pais o funcionamento da escola, bem como a proposta pedagógica ou os objetivos educacionais da instituição, ou seja, mostrará aos pais que, na escola estão os profissionais qualificados, que se dedicam a conhecer, educar e cuidar crianças.
A primeira etapa estará vencida quando os pais se conscientizarem que, nos dias de hoje é perfeitamente natural que as crianças permaneçam boa parte do seu tempo na escola, os pais não precisam se sentir culpados, ao contrário, mostrar desde cedo para os pequenos que é preciso batalhar bastante por aquilo que desejamos ajuda no processo de formação da identidade e do caráter. Mostrar a eles que, não é necessário compensar a criança com doces, brinquedos ou outras coisas, afinal, ninguém precisa ser recompensado só porque passou um dia se divertindo, aprendendo e brincando com seus colegas em um ambiente seguro e adaptado para isso. Também é importante orientar para que os pais continuem impondo os mesmos limites de sempre, sem se sentir culpado por ter passado menos tempo com o pequeno do que gostariam, o mais importante é a qualidade do tempo e não a quantidade.
Na segunda etapa deste processo, a educadora responsável pela criança devera fazer a continuação deste processo de adaptação dos pais ao mesmo tempo em que adapta e integra o pequeno no grupo e na rotina da sala. A educadora deve mostrar que está apta a realizar esta tarefa porque estuda e conhece como funciona o desenvolvimento infantil, além de dominar os cuidados necessários para a faixa etária que atende (higiene, saúde, nutrição etc), por isso, devemos formar um elo, porque quem irá fornecer os dados indispensáveis para o sucesso desta adaptação serão os pais, através da ficha de anmese, que deve ser feita pela escola na entrevista com os responsáveis e pode ser complementada pela educadora de acordo com as necessidades da faixa etária atendida.

Algumas informações sobre o processo de adaptação na escola:

A decisão dos pais, de colocar seu filho na escola deve resultar de atitude pensada, consciente e segura é dever da escola certificar-se de que esta é a melhor opção para os pais e para a criança. É preciso que eles estejam cientes que a escola será um bom propulsor para o desenvolvimentodo seu filho em vários aspectos como: afetivo, social, físico e cognitivo;
Entenda que, o ingresso na escola é a entrada em um meio social mais amplo, onde a criança se desligará, por algumas horas do seu dia, do seio familiar. Ela então irá se deparar com novas questões de sociabilidade (como dividir brinquedos e a atenção da educadora). Faça com que a criança sinta-se segura com suas decisões.
Solicite aos pais que levem a criança na escola quando forem visitar, conhecer e fazer a matrícula, estas visitas fazem com que ela vá se familiarizando com o ambiente e sinta vontade de ficar e conhecer mais um pouco, porém, estes dias não são para a adaptação, apenas para que fique mais segura;
A vinda da criança para a escola deve ser preparada; entretanto, oriente os pais a evitar longas explicações para o pequeno, pois isso pode despertar suspeita e insegurança. Algumas crianças se adaptam facilmente outras demoram um pouco mais, não há regras pré- definidas para isso, porém, o segredo do sucesso é levar em consideração as necessidades e o ritmo de cada família;
A separação, apesar de necessária, é um processo doloroso tanto para a criança quanto para a mãe, mas é superado em pouco tempo. Na escola a criança vivencia pela primeira vez o distanciamento da família e a não exclusividade, pois terá de dividir a atenção com seus colegas, porém, é nesta etapa que a criança fortalecerá o processo de amadurecimento, que se estenderá para toda vida.
Cuidados devem ser tomados nesse período de adaptação em relação a troca recente de residência, retirada de chupeta ou fraldas, troca de mobília do quarto da criança, perda de parente próximo ou animalzinho de estimação ou qualquer outra alteração, incluindo de saúde;
O choro na hora da separação é freqüente e nem sempre significa que a criança não queira ficar na escola, muitas vezes é apenas um sinal de birra, manha ou a forma de convencer os pais de algo que desejam. Sono, fome, cansaço também são motivos para que a criança não queira ficar na escola. Embora seja comum a criança resistir na entrada (o choro, a raiva e a birra fazem parte deste processo), pois é o momento em que é “cortado” o vínculo com a família, mas é preciso deixar claro, mesmo com choro a criança deve permanecer na escola.
A ausência do choro não significa que a criança não esteja sentindo a separação. Não force com violência e ansiedade a criança a ficar na escola. Mesmo parecendo calma e estando tranqüila ela ainda não está adaptada porque tudo é novo, a diferença está apenas na forma como ela reage, o processo de adaptação continua sendo o mesmo;
Mesmo quando a criança não chora, ainda há outras formas de verificar como está o processo de adaptação. Crianças que parecem aflitas, frustradas, ansiosas, angustiadas ou assustadas, que mordem, gritam, batem (nas outras crianças, na educadora ou em si mesmas), não se alimentam direito ou ficam irritadiças podem estar com dificuldades neste processo.
Evite comentários sobre a adaptação da criança em sua presença;
Cabe à mãe entregar a criança ao educador, colocando-a no chão ou entregando no colo da profissional e incentivando-a a ficar na escola. Não é recomendável deixar o educador com o encargo de retirar a criança do colo da mãe. Quanto mais rápido e determinado for este processo mais segura a criança estará;
Converse com os pais para que não saiam escondidos, peça para que se despeçam da criança e avisem que logo irão retornar para buscá-la, em caso de choro sugira que façam isto mais rapidamente e se despeçam com firmeza, avisando que já voltarão.
A sala de atividades é um espaço que deve ser respeitado e sua presença dos pais nela, além de dificultar a compreensão da separação, fará as outras crianças cobrarem a presença de suas mães;
Incentive a criança a procurar a sua ajuda quando necessitar algo, para que crie um laço afetivo contigo;
Lembre-se que o educador atende às crianças em grupo, procurando distribuir sua atenção, igualmente, promovendo junto com a mãe a integração da criança. Então, na hora de adaptar é importante mostrar aos pais e a criança que ela está sendo inserida em um grupo e que é muito bem vinda;
Se os pais confiam na escola, sentirão segurança na separação e esse sentimento será transmitido à criança, que suportará melhor a nova situação;
Solicitar aos pais que evitem interrogatórios sobre o dia da criança na escola, para que não se sinta pressionada. Crianças gostam de falar de suas descobertas, deixa-a interessada em falar sobre o assunto que ela agirá naturalmente;
Poderão ocorrer algumas regressões de comportamento durante o período de adaptação, assim como alguns sintomas psicossomáticos (febre, vômitos etc);
É comum verificar-se nessa fase uma ambivalência de sentimentos. O desejo de autonomia da criança e a necessidade de proteção ocorrem simultaneamente;
A adaptação das crianças de período integral inicialmente deve ser feita em um turno (manhã ou tarde). Crianças até 3 meses raramente precisam de adaptação porque ainda não distinguem seu corpo do meio. A partir dos 8 meses verifica-se o "estranhar", nesta etapa é sugerido que o familiar responsável pela criança em adaptação permaneça na escola nos primeiros 3 ou 4 dias e que, a adaptação seja feita de forma progressiva, ou seja, no primeiro dia fica apenas uma horinha na escola e depois vai aumentando este tempo;
Muitas vezes uma criança que já está na escola precisa ser readaptada ao trocar de sala ou de educadora, porque pode sentir medo ou ficar insegura e com medo da mudança.
Crie rotinas de acordo com a faixa etária atendida e o interesse da turma, uma rotina adequada, criativa e bem elaborada constitui para a criança instrumento construtivo de sua independência e autonomia, fortalecendo os vínculos e os “combinados” facilitando o processo de socialização. O espaço deve ser limpo, seguro e colorido, adaptado para as crianças brincarem. Não são necessários brinquedos caros mas as atividades devem ser organizadas de forma a estimular o ato de brincar.


Márcia Soares
Professora, apaixonada pela profissão


REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO:
NOVAES, Maria Helena. Adaptação Escolar. Petrópolis: Vozes, 1985.
FUNDAÇÃO, Roberto Marinho. Professor da pré-escola Vol I. Rio de Janeiro:FAE, 1991.
BEE, Helen/Tradução Maria Adriana Veríssimo Veronese. A criança em desenvolvimento.-9.ed.-Porto Alegre:Artmed,2003.
SANFORD, Fátima Rodrigues; Acolhimento, cuidados que auxiliam a criança a se adaptar na creche. Revista do professor, Porto Alegre, nº81,p.5-6,jan./mar.2005
Internet:
http://guiadobebe.uol.com.br/bb1a2/socializacao_e_adaptacao_da_crianca_na_preescola.htm
http://novaescola.abril.com.br/index.htm?ed/171_abr04/html/pequenos

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Projeto de alfabetização - NOMES PRÓPRIOS


Conteúdo

Leitura e escrita de nomes próprios
Ano

Educação Infantil, 1º e 2ª séries
Tempo estimado

Um mês
Introdução

Por que trabalhar com os nomes próprios? As crianças que estão se alfabetizando podem e devem aprender muitas coisas a partir de um trabalho intencional com os nomes próprios da classe.
Objetivos

Estas atividades permitem aos alunos as seguintes aprendizagens:

· Diferenciar letras e desenhos;

· Diferenciar letras e números;

· Diferenciar letras, umas das outras;

· A quantidade de letras usadas para escrever cada nome;

· Função da escrita dos nomes: para marcar trabalhos, identificar materiais, registrar a presença na sala de aula (função de memória da escrita) etc;

· Orientação da escrita: da esquerda para a direita;

· Que se escreve para resolver alguns problemas práticos;

· O nome das letras;

· Um amplo repertório de letras (a diversidade e a quantidade de nomes numa mesma sala);

· Habilidades grafo-motoras;

· Uma fonte de consulta para escrever outras palavras.
O nome próprio tem uma característica: é fixo, sempre igual.

Uma vez aprendido, mesmo o aluno com hipóteses não alfabéticas sobre a escrita não escreve seu próprio nome segundo suas suposições, mas, sim, respeitando as restrições do modelo apresentado. As atividades com os nomes próprios devem ser seqüenciadas para que possibilitem as aprendizagens mencionadas acima.

Uma proposta significativa de alfabetização, aquela que visa formar leitores e escritores, e não mero decifradores do sistema, não pode pensar em atividades para nível 1, nível 2, nível 3...
É preciso considerar:

· Os conhecimentos prévios dos alunos.

· O grau de habilidade no uso do sistema alfabético. · As características concretas do grupo.

· As diferenças individuais.
Seqüência de atividades

1. Selecione situações em que se faz necessário escrever e ler nomes.

Alguns exemplos: Escrever o nome de colegas para identificar papéis, cadernos, desenhos (pedir que os alunos distribuam tentando ler os nomes). Lista de chamada da classe. Ler cartões com nomes para saber em que lugar cada um deve sentar; para saber, quem são os ajudantes do dia, etc.

2. Peça a leitura e interpretação de nomes escritos.

3. Prepare oralmente a escrita: discuta com as crianças, se necessário, qual o nome a ser escrito dependendo da situação. Se for para identificar material do aluno, use etiquetas; para lista de chamada use papel sulfite ou papel craft.

4. Seja bem claro nas recomendações: explicite o que deverá ser escrito, onde fazê-lo e como, que tipo de letra usar, etc

5. Peça a escrita dos nomes: com e sem modelo. Objetivos
Ao final das atividades, o aluno deve:

Reconhecer as situações onde faz sentido utilizar nomes próprios: para etiquetar materiais, identificar pertences, registrar a presença em sala de aula (chamada), organizar listas de trabalho e brincadeiras, etc.

Identificar a escrita do próprio nome.

Escrever com e sem modelo o próprio nome.

Ampliar o repertório de conhecimento de letras. Interpretar as escritas dos nomes dos colegas da turma.

Utilizar o conhecimento sobre o próprio nome e o alheio para resolver outros problemas de escrita, tais como: quantas letras usar, quais letras, ordem da letras etc e interpretação de escritas.
Recursos didáticos

· Folhas de papel sulfite com os nomes das crianças da classe impressos

· Etiquetas de cartolina de 10cm x 6cm (para os crachás)

· Folhas de papel craft, cartolina ou sulfite A3
Organização da sala

Cada tipo de atividade exige uma determinada organização:

Atividades de identificação das situações de uso dos nomes: trabalho com a sala toda. Identificação do próprio nome: individual. Identificação de outros nomes: sala toda ou pequenos grupos.
Desenvolvimento da atividade

Identificação de situações onde se faz necessário escrever e ler nomes.

Aproveite todas as situações para problematizar a necessidade de escrever nomes.

Situação 1- Recolhendo material. Questione os alunos como se pode fazer para que se saiba a quem pertence cada material. Ouça as sugestões. Distribua etiquetas para os alunos e peça que cada um escreva seu nome na sua presença. Chame atenção para as letras usadas, a direção da escrita, a quantidade de letras, etc.

Situação 2 - Construindo um crachá Questione os alunos como os professores podem fazer para saber o nome de todos os alunos nos primeiros dias de aula. Ajude-os a concluir sobre a função do uso de crachás. Distribua cartões com a escrita do nome de cada um que deverá ser copiado nos crachás. Priorize neste momento a escrita com a letra de imprensa maiúscula (mais fácil de reprodução pelo aluno). Solicite o uso do crachá diariamente.

Situação 3 - Fazendo a chamada Lance para a classe o problema: como podemos fazer para não esquecer quem falta na aula? Observações: todas essas situações e outras têm como objetivo que os alunos recorram à escrita dos nomes como solução para problemas práticos do cotidiano. Identificação do próprio nome Dê para cada aluno um cartão com o nome do aluno. · Apresente uma lista com todos os nomes da classe. Escreva todos os nomes com letra de imprensa maiúscula. Nesse tipo de escrita, é mais fácil para o aluno identificar os limites da letra, o que também deixa a grafia menos complicada. · Peça que localizem na lista da sala o próprio nome. O cartaz com essa lista pode ser grande e ser fixado em local visível. · Peça para cada um montar o próprio nome, usando letras móveis (que podem ser adquiridas ou confeccionadas). · Inicialmente realize esta atividade a partir de um modelo (crachá com o nome) e depois sem modelo, usando o modelo para conferir a escrita produzida. Identificação de outros nomes da classe Apresente uma lista com os nomes das crianças da classe. Cada aluno poderá receber uma lista impressa ou colocar na classe uma lista grande confeccionada em papel craft. Você poderá, também, usar as duas listas: as individuais e a coletiva.

Atividade 1- Ditado Dite um nome da lista. Cada aluno deverá encontrá-lo na lista que tem em mãos e circulá-lo. Em seguida, peça a um aluno que escreva aquele nome na lousa. Peça aos alunos que confiram se circularam o nome certo. Para que essa atividade seja possível a todos é importante fornecer algumas ajudas. Diga a letra inicial e final, por exemplo.

Atividade 2 - Fazendo a chamada Entregue a lista de chamada dos alunos da sala. Peça que as crianças digam os nomes dos alunos ausentes e que circulem esses nomes. Siga as mesmas orientações da atividade 1, no tocante às ajudas necessárias para a realização da tarefa. Atividade 3 - Separando nomes de meninas e meninos Apresente a lista da chamada da classe. Peça para os alunos separarem em duas colunas: nomes das meninas e nomes dos meninos. Observação: em todas estas atividades é importante chamar a atenção para a ordem alfabética utilizada nas listas. Este conhecimento: nomeação das letras do alfabeto é importante para ajudar o aluno a buscar a letra que necessita para escrever. Em geral as crianças chegam à escola sabendo "dizer" o alfabeto, ainda que não associando o nome da letra aos seus traçados. Aproveite esse conhecimento para que possam fazer a relação entre o nome da letra e o respectivo traçado. Avaliação

É importante observar e registrar os avanços dos alunos na aquisição do próprio nome e no reconhecimento dos outros nomes. Tratando-se de uma informação social - a escrita dos nomes -, é preciso observar se os alunos fazem uso dessa informação para escrever outras palavras. A escrita dos nomes é uma informação social, porque é uma aprendizagem não escolar. Dependendo da classe social de origem do aluno, ele já entra na escola com este conhecimento: como se escreve o próprio nome e quais as situações sociais em que se usa a escrita do nome. Para alunos que não tiveram acesso a essa informação a escola deve cumprir esse papel. Sugerimos uma planilha de observação de nove colunas, contendo os seguintes campos:

1. Nome do aluno

2. Escreve sem modelo?

3. Usa grafias convencionais?

4. Utiliza a ordem das letras?

5. Conhece os nomes das letras?

6. Reconhece outros nomes da classe?

7. Escreve outros nomes sem modelo?

8. Utiliza as letras convencio-nais na escrita dos nomes?

9. Utiliza o conhecimento sobre os nomes para escrever outras palavras?
Observação: A partir do registro na planilha acima é possível ter uma visão das necessidades de investimento com cada aluno e também das necessidades coletivas de trabalho com a classe. Atividades complementares · Pesquisa sobre a origem do nome (pesquisa com os familiares) · Análise de fotos antigas e atuais da criança. · Montagem de uma linha do tempo do aluno a partir das fotos trazidas.

Bibliografia

Tolchinsky, Liliana . 1998 . Aprendizagem da Linguagem escrita. Editora Ática. Teberosky, Ana. 1994. Aprendendo e escrever. Editora Ática. 1990. Psicopedagogia da Linguagem escrita. Editora Unicamp 1990. Reflexões sobre o ensino da leitura e da escrita.Editora Unicamp. Ferreiro, E & Teberosky A. 1984. Psicogênese da língua escrita. Artes Médicas. Curto,

L&Morilllo, M&Teixidó, M -Escrever e ler - volumes 1 e 2. Artes Médicas


ATIVIDADE RETIRADA DO SITE DA REVISTA NOVA ESCOLA

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Reunião de Pais - mensagem para a reunião


Em minha primeira reunião de pais, leio uma mensagem e faço uma dinâmica.

O tema que abordo neste primeiro momento é um resumo das características da faixa etária.
Como se comportam, como se desenvolvem etc... pois os pais precisam de orientação e auxílio.

Junto com a mensagem, entregue uma bolinha de algodão colorido para cada pai ou familiar presente na reunião. A mensagem pode ser uma para cada família, mas o algodão deve ser um por pessoa que estivér presente.


SUGESTÃO DE TEXTO- MENSAGEM


Havia aldeia pequena onde o dinheiro não entrava.
Tudo o que as pessoas compravam, tudo o que era cultivado e produzido por cada um, era trocado.
A coisa mais importante, a coisa mais valiosa, era a Amizade.
Quem nada produzia, quem não possuía coisas que pudessem ser trocadas por alimentos, ou utensílio, dava seu CARINHO.
O CARINHO era simbolizado por um floquinho de algodão. Muitas vezes, era normal que as pessoas trocassem floquinhos de algodão sem querer nada em troca. As pessoas davam seu CARINHO pois sabiam que receberiam outros num outro momento ou outro dia.
Um dia, uma mulher muito má, que vivia fora da aldeia, convenceu um pequeno garoto a não mais dar seus floquinhos.
Desta forma, ele seria a pessoa mais rica da cidade e teria o que quisesse.
Iludido pelas palavras da malvada, o menino, que era uma das pessoas mais populares e queridas da aldeia, passou a juntar CARINHOS e em pouquíssimo tempo sua casa estava repleta de floquinhos, ficando até difícil de circular dentro dela.
Daí então, quando a cidade já estava praticamente sem floquinhos, as pessoas começaram a guardar o pouco CARINHO que tinham e toda a HARMONIA da cidade desapareceu. Surgiram a GANÂNCIA, a DESCONFIANÇA, o primeiro ROUBO, o ÓDIO, a DISCÓRDIA, as pessoas se XINGARAM pela primeira vez e passaram a IGNORAR umas as outras na rua.
Como era o mais querido da cidade, o garoto foi a primeiro a sentir-se TRISTE e SOZINHO, o que o fez o menino procurou a velha para perguntar-lhe e dizer-lhe se aquilo fazia parte da riqueza que ele acumularia. Não a encontrando mais, ele tomou uma decisão. Pegou uma grande carriola, colocou todos os seus floquinhos em cima e caminhou por toda a cidade distribuindo aleatoriamente seu CARINHO. A todos que dava CARINHO, apenas dizia: Obrigado por receber meu carinho.

Assim, sem medo de acabar com seus floquinhos, ele distribuiu até o último CARINHO sem receber um só de volta.

Sem que tivesse tempo de sentir-se sozinho e triste novamente, alguém caminhou até ele e lhe deu CARINHO. Um outro fez o mesmo...Mais outro...e outro...até que definitivamente a aldeia voltou ao normal.

Aceite meu floquinho como prova do meu carinho, pois é assim que pretendo conduzir meu trabalho, neste ano de 2008. Neste ano, quero dividir com você a responsabilidade de educar.


Um grande abraço

Profe Márcia

Moldes Para Painel do Tempo e Calendário







Estes modelos de bonecos de papel foram usados no meu painel do tempo.
Ainda está sendo confeccionado.
Foram feitos em E.V.A e no fundo colei um imã, para que as crianças possam trocar a roupa de acordo com a temperatura do dia.
Ainda está sendo confeccionado, mas assim que ficar pronto, coloco ele e o restante dos modelos aqui no blog.
Os números são feitos em tampinha de garrafa pet com retalhos de E.V.A, coladas em papel cartão (cartaz).
EM BREVE CONFIRA O CALENDÁRIO DO MÊS E PAINEL DO TEMPO PRONTOS

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Potes para guardar canetas

Sugestões simples e rápidas e o melhor, baratas.
Com retalhos de tecidos ou garrafas pets é possível organizar os materiais da sala.
Use cola branca comum para acabamentos em tecido. Passe a cola no pote (usei aqueles de bata frita), coloque o tecido em cima da cola e ajeite bem, para que não fique dobras. Depois, passe cola por cima do tecido, ele ficará com uma camada dura, impermeável e bastante resistente.

Modelos para decoração de potes "porta-trecos"

Moldes


Dica: Para prender recadinhos nos murais, use "agarradinhos", confeccionados com retalhos de E.V.A e prendedor.

SUGESTÕES PARA DECORAR A SALA E ORGANIZAR MATERIAIS

Estas sugestões foram tiradas do blog da Jacirinha e adequadas a temática da minha sala. O blog se encontra na listagem de páginas que sugiro "Gente que educa". Aproveitem!!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Berçário - ATIVIDADES PARA CRIANÇAS DE 0 A 3 ANOS


Pessoal, não tenho muitos projetos para Berçário, mas vou indicar um site muito bom que eu recomendo.


A ATIVIDADE ABAIXO FOI RETIRADA DO SEGUINTE SITE:
http://www.projetospedagogicosdinamicos.kit.net/

Atividades para bebês de 0 a 3 anos

Sempre é bom lembrarmos, que o educador, ao ensinar tarefas de trabalhos manuais para as criancinhas deve procurar deixá-las experimentar fazerem suas tarefas sozinhas, mas sem forçá-las. É preciso, naturalmente observá-las convenientemente, pois gostam de colocar tudo na boca. Especialmente quando trabalharem com balões, algodão, jornais ou materiais pequeninos nunca as perca de vista. Não espere delas super e geniais idéias e resultados. Quanto mais elas experimentarem trabalhar sozinhas, mais criativas serão. Cada uma delas possui um ritmo próprio para fazer suas tarefas.
Repetição também é importante para as crianças, mesmo quando para você se torna monótono fazê-lo. Se você, depois de umas duas semanas repetir a tarefa proposta, colocando-lhes o mesmo material para elas trabalharem vai ficar surpreso de ver o progresso que elas conquistaram. A seguir apresentar-lhes-emos algumas idéias que podem ser desenvolvidas nas aulas junto às crianças pequeninas de até 3 anos de idade.

ALGUMAS SUGESTÕES PRÁTICAS:

1)- Luva com sininhos:
Adquira uma luva de malha ou lã e pregue em cada dedo pequenos sinos. Se preferir enfeite cada dedo com uma carinha que poderá ser pintada ou bordada. Se quiser aplique pedacinhos de lã para imitar cabelos. Com essa luva você pode iniciar as aulas saudando as crianças como se cada dedo tivesse um nome ou para outras brincadeiras de saudação à turma. Você pode também colar outros materiais nas bordas da luva: arroz, castanhas, etc.
Existem músicas infantis que expressam o movimento com as mãos. Por exemplo:
“Os dedinhos” (cantora Eliana)

2)- Locais para aventuras com bebês:
São muitos os meios de se proporcionar aventuras para bebês que estão engatinhando. Por exemplo: túnel para bebês- feito com papelões grandes, diferentes bolas e almofadas, bóias, animais de plástico para soprar, “João Bobo”, balões de ar, colchas, etc.
Na primeira vez deixe as próprias crianças experimentarem as possibilidades de brincar com os materiais ao seu dispor. Quando elas não souberem o que fazer, mostre-as antes como podem brincar. Engatinhar dentro do túnel, brincar com os balões, construir torres com os travesseiros e almofadas, etc.
No início esse material todo é naturalmente excessivo. Talvez seja melhor começar apenas com os papelões por no máximo 1 hora e no próximo instante com os balões, etc.

3)- Piscinas para bebês:
Para cada grupo de crianças é bom que se tenha aproximadamente duas piscinas de borracha ou plástico. Você pode enchê-las com balões, jornais (você vai ver que logos elas irão rasgá-los entusiasmadamente). O algodão presta-se também para encher a piscina. Folhas de papel manteiga fazem também ruídos maravilhosos quando são amarrotados.
Outros materiais podem enchê-las: folhas secas, palha, etc.


Interessou-se pelo assunto? Quer mais sugestões de atividades práticas para esta faixa-etária?
É fácil!
Adquira a "Apostila de Sugestões de Atividades Práticas para Bebês de 0 a 3 anos" do PPD ( Projetos Pedagógicos Dinâmicos )

Mais informações através do e-mail: projetosdinamicos@superig.com.br

Berçário - Massinha de modelar caseira

Crianças pequenas costumam descobrir e explorar o mundo através da boca. Encontram-se na fase oral, onde as muitas formas de contato com o mundo, passam antes, pelos lábios.
Mordem, chupam, experimentam...
A sala e o material devem ser rigorasamente selecionados para esta faixa etária, brinquedos grandes que não soltem peças, mobiliário apropriado e atividades que colaboram para o crescimento da gurizada.




A MASSINHA DE MODELAR CASEIRA
, pode contribuir de forma significativa com este processo. As crianças devem colaborar no preparo, pois é simples, rápido e fácil.
Depois é só curtir.

Receita (massa de pão)
Material
4 xícaras de farinha de trigo,
1 xícara de sal,
1 e meia xícara de água,
1 colher de (chá) de óleo

Modo de Fazer
Numa tigela, misturar todos os ingredientes, amassar bem até ficar boa para modelar, a consistência deve ser de uma massa para pão.
Guardar em saco plástico ou vidro bem tampado.(Se colocar na geladeira dura mais)
Atenção: Esta receita não precisa ir ao fogo. Não seca ao sol, mas você pode colocar as peças modeladas numa forma, em forno brando para assar.
Depois de assadas, é só pintar com tinta para artesanato ou tinta preparada por você.


DICA: Utilize potes panelas e acessórios, para amassar, espichar, cortar e fazer modelagens.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

MENSAGEM PARA MURAL OU REUNIÃO DE PAIS


AS CRIANÇAS APRENDEM O QUE VIVEM

Se as crianças vivem em meio a críticas, aprenderão a condenar.
Se as crianças vivem em meio à hostilidade, aprenderão a brigar.
Se as crianças vivem sendo ridicularizadas, irão se tornar tímidas.
Se as crianças vivem com vergonha, aprenderão o sentimento de culpa.
Se as crianças vivem onde há incentivo, aprenderão a confiança.
Se as crianças vivem onde ocorre a tolerância, aprenderão a paciência.
Se as crianças vivem onde há elogios, aprenderão a apreciação.
Se as crianças vivem onde há aceitação, aprenderão a amar.
Se as crianças vivem onde há aprovação, aprenderão a gostar de si mesmos
.Se as crianças vivem onde há honestidade, aprenderão a veracidade.
Se as crianças vivem com segurança, aprenderão a crer em si mesmas e naqueles que as rodeiam.
Se as crianças vivem em um ambiente de amizade, aprenderão que o mundo é um lugar bom para se viver.
(Dorothy Law Nolte)

E você? O que está ensinando a seu filho? E a seus alunos? Vamos refletir?

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Para PAIS e EDUCADORES - A violência dói, divulgue


Muitas vezes o adulto não sabe como abordar assuntos delicados com as crianças.
Não espere pelo pior, ensine seu filho ou seus alunos a se protegerem.
As dicas são simples, mas o assunto é muito sério.
Vale a pena orientar nossas crianças.
PROTEGER TAMBÉM É EDUCAR!!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Técnicas de expressão artística para a Páscoa


Ovos de Páscoa


Material: Ovos de galinha e/ou cascas de ovos. Para colorir: guache atóxico, anilina culinária, casca de cebola, água de beterraba, giz de cera. Cola e papel, revistas.
Ovos Cozidos:
1. Coloque ovos de galinha (vazios) numa panela com água, adicione uma boa quantidade de cascas de cebola (quanto mais avermelhadas melhor). Ferva as cascas normalmente. A outra opção é guardar a água em que foram cozidas beterrabas, e colocar nela os ovos crus e também cozinhar normalmente.


2. Ferva as cascas de ovoc, em água limpa (diz-se que se acrescentar uma colher de vinagre à água os ovos não racham). Utilize tinta guache ou tinta para artesanato para pintá-los. Assegure-se de escolher tintas e cores "atóxicas" (vem escrito na embalagem).

Ou, após cozidos, decore os ovos com giz de cera e mergulhe-os em água com anilina por alguns minutos para a tinta aderir à casca. As áreas desenhas com giz irão repelir a anilina e permanecerão com a cor do giz. Você pode desenhar com giz branco e depois de mergulhar os ovos em anilina "descobrir" as figuras criadas.

Cascas de ovos

Com as metades das cascas de ovos é possível fazer diversos enfeites:

1. Velas flutuantes: junte velas velhas ou compre parafina (para colorir a parafina você pode acrescentar pedaços de giz de cera). Quebre as velas/parafina em uma vasilha ou panela, derreta em banho-maria. A temperatura ideal é em torno de 50oC. Coloque as metades de ovos na caixa de ovos para que fiquem equilibradas; despeje cuidadosamente a parafina dentro de cada casca e coloque um pedaço de barbante para o pavio. Deixe esfriar completamente antes de movê-las. As velas depois de prontas flutuarão, se você as colocar numa vasilha com água.
2. Vasos de flores: coloque terra ou humus dentro das metades de casca de ovo; acrescente sementes ou mudas de plantas pequenas (brotos comestíveis, grama ou pequenas flores dão melhor resultado).
3. Ao invés de quebrar os ovos, esvazie-os usando um alfinete para abrir uma pequena passagem na base do ovo e um pequeno furinho no alto (que permitirá o ar entrar e facilitará retirar o conteúdo de dentro da casca).Lave bem a casca vazia. Decore o exterior com as mesmas tintas mencionadas acima, ou fazendo colagem com papel colorido. Encha o ovo com confeitos coloridos, amendoim ou outra guloseima ou ainda versículos e histórias bíblicas. Tampe o buraco na base da casca com um pedaço de papel colado nas beiradas.Há uma tradição em alguns locais de fazer uma Árvore de Páscoa. Consiste em um galho seco (que é deixado na sala por toda a quaresma) e é decorado com fitas e ovos coloridos no dia de Páscoa.
4. Pedacinhos de casca de ovo, de todos os tamanhos e formatos podem ser usados para fazer mosaicos ou pintura craquelê.Escolha um objeto para decorar: pode ser um potinho de cerâmica, uma caixa de papelão, um cartão...- para craquelê: cole os pedacinhos de casca sobre todo o objeto. Espere a cola secar e pinte por cima com tinta adequada ao objeto escolhido. Deixe secar. Com um pedacinho de estopa aplique uma cor mais escura, preenchendo as gretas entre os pedacinhos.- para mosaico: pinte cada casca de ovo em uma cor vibrante, antes de quebra-lo em pedacinhos. Use as casquinhas coloridas para decorar cartões ou outras peças pequenas, colando-as com cola branca. Você também pode optar por usar papel colorido e colar pedacinhos de casca na cor natural.
Boa diversão!!!

As fases do desenvolvimento infantil - De 0 a 7 anos


As fases do desenvolvimento infantil



Para que você perceba se a criança é dependente ou não é importante conhecer o que, teoricamente, ela teria condições de executar com autonomia. Isso pode variar de acordo com a cultura de cada local, com os estímulos do meio e com a educação de cada indivíduo. Não há um parâmetro fixo e imutável e algumas crianças podem demorar um pouco mais para amadurecer, sem com isso, apresentarem algum tipo de deficiência.


0 a 2 anos:
O ser humano nasce totalmente dependente do outro, que se responsabiliza pela sua sobrevivência física e também pelo processo de humanização, que inclui a fala, o ato de andar e a vida em sociedade. Esse adulto deve também decifrar seus desejos por meio do choro, das caretas e dos sorrisos.
2 a 3 anos

Com essa idade, a criança utiliza a linguagem para expressar o que sente: fome, sede, frio e sono. No campo afetivo, passa a se relacionar com outras pessoas que não aquelas que cuidam dela. Já é capaz, por exemplo, de trocar objetos com o amigo e não mais tomá-los à força, de sentar-se à mesa durante o lanche e de se alimentar sozinho
3 a 4 anos
Nessa fase, a criança testa seu poder com birra, graça e pedidos — e descobre qual a melhor forma de ter seus desejos atendidos. Mas pode cumprir as regras de convivência construídas coletivamente e realizar tarefas como carregar a própria mochila e tirar dela o material. Pode ainda usar o banheiro com a supervisão de um adulto.
4 a 5 anos
Manuseia seus objetos pessoais e, se não estiver apta por qualquer problema motor, solicita ajuda. Também tem condições de escolher com o que vai brincar. Troca de roupas, participa de tarefas coletivas e ajuda o professor.
5 a 6 anos
Já escolhe os amigos e as brincadeiras e também pode ser responsável pelo material individual.
A linguagem está a cada dia mais clara e objetiva e a comunicação é fácil.
6 a 7 anos
Crianças nessa fase já possuem linguagem mais elaborada e, por isso, se colocam com mais clareza. Já realiza as tarefas de casa com autonomia e se responsabiliza por trazer e levar materiais. Divide tarefas nos trabalhos em grupo e se compromete com o trabalho final.

Avaliação na educação infantil


“ Professor nenhum é dono de sua prática se não tem em mãos, a reflexão sobre a mesma. Não existe ato de reflexão, que não nos leve a constatações, dúvidas e descobertas e , portanto, que não nos leve a transformas algo em nós, nos outros e no mundo”
Madalena Freire

Assim deverá ser feita a avaliação em crianças da Educação infantil.


Não deve ser realizada como forma de medir conhecimentos, mas como ponto de partida para novas descobertas, servirá como diagnóstico das necessidades dos alunos, ao mesmo tempo que será usada pela educadora como forma de transformar sua prática.

A avaliação deve ser feita com base no acompanhamento, observação e registro do educador em relação ao desenvolvimento e progressos de seus alunos. Não deve possuir caráter rotulador ou quantitativo, deve sim, servir como fonte de reflexão e análise, para que possamos perceber até onde chegamos e o que ainda precisamos buscar.
Para o aluno a avaliação é apenas um modo de conhecê-lo melhor, suas habilidades e suas deficiências, para o educador ela deve ser uma forma de percepção de sua prática e deve apontar modos de aprimorá-la, ao avaliar não devemos nos deter nesta ou naquela área, mas em todas as competências dos nossos pequenos.

JAMAIS, NUNCA, EM MOMENTO ALGUM, o aluno pode ter suas habilidades comparadas ou julgadas, cada criança serve de parâmetro para si mesma e jamais pode ser comparada com outra, mesmo que da mesma faixa etária.

Na avaliação de uma criança, deve constar a trajetória de suas descobertas e aprendizados, seus crescimentos e suas dificuldades, sempre referindo-se a como a criança foi no passado e como está no presente momento.


Algumas escola padronizam a avaliação, usando um "x" ou marcando as habilidades que os alunos possuem ou não, em um "boletim". Eu, particularmente, abomino este método, pois nenhuma criança pode ser avaliada com parâmetros pré definidos, logo que a avaliação deve ser única, pessoal e intransferível.


Hoje, baseado nas teorias de Howard Gardner, sabemos que há pelo menos, 7 tipos diversificados de inteligências (sendo que a 8ª, a ambiental, já está sendo estudada). Portanto, avaliar todos alunos de uma única forma, pode comprometer de forma significativa o desenvolvimento dos pequenos.

Cabe ao educador, um olhar atento e reflexivo sobre o desenvolvimento de cada um dos seus alunos, perceber cada criança na sua individualidade, com suas limitações e suas habilidades, dando ênfase a suas qualidades e ao seu crescimento durante o decorrer do ano.


A forma mais correta de avaliar na educação infantil é o parecer descritivo ou o portfólio individual do aluno.

Para conseguir realizar de forma satisfatória esta avaliação, é preciso manter um caderno ANEDOTÁRIO, onde cada criança terá seu espaço, para que o professor possa DIARIAMENTE ( ou sempre que possível), relatar acontecimentos pertinentes ao amadurecer de cada um.

Abaixo, sugiro alguns itens que devem ser observados e registrados no anedotário, que depois, contribuirão na elaboração da avaliação.


SUGESTÕES DE ITENS A SEREM OBSERVADOS:


Novidade
Participação
Interação
Autonomia
Preferências
Colaboração
Característica
Como se comporta nas atividades
Como se relaciona com colegas/educadora
No que se destaca ( no pátio, na dança, nas atividades matemáticas, ativ. De linguagem, nas atividades artísticas ou musicais etc...)


1.Como chega à escola?
2.Como se adapta ao ambiente?
3.Como se alimenta?
4.Como brinca?
5.Como se relaciona: colegas/educadora
6.Como está se movendo?
7.Como se comunica?
8.Atende as solicitações da educadora?(guarda-guarda)
9.O que faz quando contrariado?
10.Identidade:Reconhece os colegas?
11.Se identifica pelo nome,sua imagem no espelho?
12.Gosta dos colegas e os identifica?
13.Tem capacidade de resolver conflitos e tomar iniciativas?
14.É crítica e criativa?Curiosa e inventiva?
15.É participativa e cooperativa?


Um bom ano a todos!!!


Márcia O. Soares

Professora, apaixonada pela profissão



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Trabalhando com os símbolos da Páscoa

OS GIRASSÓIS
DICA: Fazer uma releitura da obra os girassóis de Van Gogh. Usar sementes de girassol e papel de docinho (pelotina). Fica muito lindo.




O PEIXE:

O primeiro modelo é feito de papel crepom e prato de festa. O olho pode ser comprado em casa de aviamentos, mas sugiro confeccionar com papel cartão ou outro similar.

O segundo é feito com radiografia (chapa) para retirar a imagem, mergulhe em alvejante (clorofina) por uns minutos e depois lave. A pintura é feita com plasticor (cola colorida) e ele é preso a uma rolha de vinho.






A VELA
DICA: Pintando com vela: Aqueça o giz de cera na chama da vela, ele irá começar a derreter, então, pinte neste momento. MUITO CUIDADO. Esta atividade é PERIGOSA e requer atenção total. SÓ realize EM PEQUENOS GRUPOS E COM AUXÍLIO DE OUTRA PROFISSIONAL.



Presentinhos do coelhinho - Sugestões recolhidas pela internet


DICA: Usar fundo re garrafa PET para este porta lápis, pois é mais resistente.
O enfeite pode ser mudado de tempos e tempos e adequado aos projetos ou datas que estão sendo abordados.




quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Atividades matemáticas e de alfabetização - Páscoa







SÍMBOLOS DA PÁSCOA - "Cartaz"







A visita do coelho - Conhecendo melhor as crianças



Esta é a minha coelha, a Kika, ou pelo menos era no ano passado, provavelmente, neste an, receberá um novo nome.

Eu levo ela dentro de uma caixa.
Questiono sobre o que será que tem dentro, as crianças ficam curiosas e dão mil sugestões, ao retirar ela da caixa, convido as crianças a falarem sobre o animal. Quantas patas tem, onde mora, como vive, do que se alimenta, como é o seu corpo, como se locomove etc... depois de estarem familiarizadas, são convidadas a escolher um nome para esta coelhinha.

A coelha fará uma visita na casa de cada uma das crianças que, ao retornar para a escola, deve trazê-la limpa e em ótimas condições para que outros colegas recebam a visita. O objetivo é integrar as crianças, conhecer um pouco da rotina de cada um, pois as crianças farão um relato oral de tudo o que fizeram em casa com a coelhinha. Desta forma estimulamos a integração e a linguagem oral e suas diferentes formas de expressão.

Uma mensagem especial


Que a alegria da Páscoa, invada o seu coração e o daqueles a quem ama, irradiando luz para iluminar e fazer brilhar o mundo em que vivemos, enchendo-o de ESPERANÇA, PAZ E MUITO AMOR.
Feliz Páscoa!!

Os símbolos da Páscoa

O COELHO: Por serem animais com capacidade de gerar grandes ninhadas, sua imagem simboliza a capacidade da Igreja de produzir novos discípulos constantemente.
O que ele faz, como se movimenta, como é seu corpo, o que ele come, quantas patas possui?
Levar os pequenos a refletirem sobre a natureza e a sociedade
O Ovo de Páscoa: A existência da vida está intimamente ligada ao ovo, que simboliza o nascimento.
A Cruz da Ressurreição: Traduz, ao mesmo tempo, sofrimento e ressurreição.
O Cordeiro: Simboliza Cristo, que é o cordeiro de Deus, e se sacrificou em favor de todo o rebanho.
O Pão e o Vinho: Na ceia do senhor, Jesus escolheu o pão e o vinho para dar vazão ao seu amor. Representando o seu corpo e sangue, eles são dados aos seus discípulos, para celebrar a vida eterna.
O Círio:É a grande vela que se acende na Aleluia. Quer dizer: "Cristo, a luz dos povos". Alfa e Ômega nela gravadas querem dizer: "Deus é o princípio e o fim de tudo".



EM BREVE: RESUMO COM OS SÍMBOLOS E SUGESTÕES DE ATIVIDADES PARA ALGUNS.



MODELO DE PRESENTE QUE PODE SER CONFECCIONADO PELAS CRIANÇAS, PARA TROCAREM ENTRE SI:

CENOURA COM JUJUBAS

Culinária de Páscoa

PIVICA - Amendoim com chocolate

Após a história sobre os ovinhos, cada criança pintará dois ou três ovinhos vindos de casa.
DICA: Peça aos pais que façam apenas um furo embaixo, de forma que, após serem lavados e secados, as crianças possam encher com o amendoim e fechar com papel de docinho.

RECEITA:
1 pacote de amendoim
Achocolatado (toddy) a gosto
Açúcar a gosto
1 copo americano

MODO DE PREPARO:

Coloque um copo americano açúcar dentro de uma panela média.
Coloque no fogo o açúcar, o amendoim, o toddy.
Depois mexa sem parar, quando tiver desgrudando da panela retire, mas sem deixar queimar.
Quando for retirado do fogo não deixe grudar na panela.
Jogue em cima da pia ou em cima da mesa.
Mas a (pia ou a mesa) tem que estar umedecida.
Vá espalhando depois coloque em uma vasilha.

Um conto para encantar - Páscoa


A VELHINHA, A GALINHA E OS OVOS DE PÁSCOA
(Conto Lituano de Nijole Jankute- Tradução livre de Olga Prokopowit)
Numa pequena aldeia, havia uma pequena casa. Nesta casa morava uma velhinha.
Ela criava uma galinha e um coelho.
A galinha tinha seu ninho embaixo da escada e lá botava seus ovos.
O coelho vivia solto pelo gramado que circundava a casa.
A galinha cacarejava toda vez que botava um ovo, e a velhinha corria para recolher o ovo que a galinha botava e a alimentava com boa comida.
A velhinha gostava muito da carijó, que tinha a crista vermelha, as patinhas amarelas e as penas coloridas.. Gostava também do coelho, que tinha o lábio partido, as orelhas bem grandes e o pelo branco bem fofinho.
Certo dia, a velhinha escuta a galinha cacarejando tão alto e tão feliz:
-- Botei, botei, botei! Até o coelho assustou-se e ficou com as orelhas em pé.
A velhinha desceu bem rápido os degraus da escada, abaixou-se e viu no ninho um ovo bem grande, com manchas multicoloridas. Era tão lindo que ela não cansou de admirá-lo.
Com muito cuidado pegou-o e levou-o para a cozinha. Ficou pensando o que faria com ele. Não podia come-lo, pois era muito bonito e também não podia deixa-lo como enfeite, pois poderia cair e quebrar-se.
O coelho que estava ao seu lado, disse-lhe:
--E se der de presente para uma criança? A Páscoa está chegando e com certeza quem recebe-lo ficará muito feliz.
A idéia é boa, respondeu a velhinha, porém para qual criança? Eu conheço tantas.
Ela pensou um pouco e exclamou:
--Já sei, vou juntar muitos ovos da galinha carijó e depois de pintá-los vou presentear todas as crianças.
Saltitando e feliz, o coelho dizia:
-- Eu também vou ajudar a pintar. Assim dito, assim feito.
A galinha carijó botou muitos ovos. A velhinha recolheu-os numa cesta de vime e junto com o coelho branquinho, pintou-os. Ficaram tão bonitos. Multicoloridos. Vermelhos, verdes, azuis, amarelos, roxos. Alguns listrados., outros com bolinhas e até com flores.
No domingo de Páscoa, a velhinha os colocou numa bela cesta e o coelho branquinho distribuiu-os para todas as crianças da aldeia.

Idéias para a Páscoa



PROJETO PÁSCOA
Mais do que chocolate, é a troca de carinhos o que vale mais

O objetivo de comemorarmos a Páscoa é o de tentar mostrar aos nossos alunos o real motivo deste feriado. Ao mesmo tempo, refletir sobre a vida do ser humano e como devemos conduzir nossas mudanças. Elas devem ser realizadas nas atitudes e no planejamento da nossa vida futura, tirando do coração mágoas e sentimentos negativos. A mudança deve ser um processo contínuo e permanente!


A Páscoa é uma data religiosa muito importante para os Cristãos, no entanto, seus símbolos são recheados de significados que encantam e contribuem com a formação até mesmo daqueles que não declaram nenhuma fé. Esta data merece uma atenção especial no calendário letivo, com isso, justificamos o presente projeto, que não visa apenas caracterizar-se como a representação da ressurreição de Cristo, mas também resgatar valores que estão se perdendo com o tempo em razão dos apelos comerciais, pois a Páscoa é mais do que uma simples troca de chocolates e o carinho é o que vale mais.




Eixos temáticos: Artes visuais e expressão artística, música e movimento, identidade e autonomia, linguagem oral e escrita, matemática, ciências e sociedade.




Despertando a curiosidade da gurizada




O QUE É PÁSCOA?


Não esqueça de registrar em um painel coletivo as respostas das crianças, vá puxando assunto para que os comentários ganhem criatividade.


Pergunte por que comemoramos a Páscoa, o que significa, como esta data é comemorada em cada casa....)


Quais são os símbolos da Páscoa?



Este será o “tema” para casa. As criança devem conversar sobre a Páscoa e o significado dela dentro da sua família. No retorno, faça uma lista com os símbolos da Páscoa e complemente os comentários das crianças, explicando cada um dos símbolos.

Se possível, leve para a sala alguns destes símbolos, para quem tem alfabeto ilustrado, adicione estes símbolos ao alfabeto.




ALGUMAS ATIVIDADES PARA ESTA ÉPOCA:

Lanche da amizade: Lanche trazido de casa, com a intenção de dividir com o outro.
Construindo e doando: As crianças farão aulas de culinária, o que for preparado, deve ser oferecido para as demais turminhas.
Visitando os pequenos: A turminha de Jardim (Nível B), fará uma visita a salinha do Mini-Maternal para entregar presentes de páscoa, esta é uma forma de socializar e conhecer novos ambientes.
A CORRIDA DOS OVINHOS: Cada criança deve ganhar um ovinho pequeno de chocolate, o objetivo é empurrar com o nariz até a linha de chegada, depois de passar por ela, pode saborear seu ovinho.
VAMOS COLORIR OVOS? Resgata a importância de construir com carinho e afeto o presente, sem que haja necessidade de gastar dinheiro. Ensina sobre as tradições antigas de trocar ovos pintados.


BRINCADEIRAS PARA TODA HORA:



• Faça um chicotinho queimado ou "caça ao tesouro" com as crianças dizendo que o coelhinho da páscoa escondeu alguns ovos enquanto estavam dormindo ou enquanto estavam casa. A procura pode ser feita com a ajuda dos alunos maiores.
• Brincadeira do quantos ovos? ..............coloque alguns ovos pequenos de chocolate em uma cesta e pergunte as crianças quantos ovos elas imaginam que possa ter lá dentro. A criança que acertar ganha todos os ovos.
• Jogo de memória da páscoa............. Corte cartões com desenhos de ovos e coelhos diferentes e brinque de jogo de memória com eles.
• Ache seu ovo correspondente............. Faça cartões com o desenho de ovos e coelhos, corte pela metade e distribua entre os alunos. Faça os alunos encontrarem sua metade e desenvolva outra atividade a partir daí em dupla.
• Brincadeira do "Coelhinho da páscoa disse" (como a brincadeira do macaco disse).......... Professora diz: "Coelhinho da páscoa disse para pular em um pé só!" e as crianças devem imitar até a professora dizer para parar ou modificar o pedido. Pode dizer movimentos como: gire, caminhe de frente, de costas, sentado, imitando um coelho, imitando um coelho comendo chocolate...se a professora disser só _coelhinho da páscoa disse (sem a palavra para) correr!!! as crianças devem ficar estátua. Perde ponto quem se mexer
• Jogo da estátua: Toque alguma música para dançar quando a música pára todos devem fingir de estátua.
• Deixe que cada criança tenha sua própria idéia de como é um coelhinho da páscoa. Dê a elas um coelho de papel e deixe que ela decore como desejar. No final pendure pela sala os trabalhos.

EM BUSCA DO COELHO: Atividade que irá culminar as atividades. Um coelho de verdade visitará a escola, com ele, as pistas de onde os presentes estarão escondidos.






NESTES SITES VOCÊ ENCONTRA JOGOS, DICAS E IMAGENS SOBRE A PÁSCOA:

http://www.editorainformal.com.br/atividades/festivas/pascoa/atividades-pascoa.htm
O coelho da Páscoa – site oficial
Este site é especial para as crianças nas aulas de informática. Atividades online sobre a Páscoa, bem legal. Sugestão para os pais, para as crianças aprenderem em casa e para a informática.
http://www.ocoelhodapascoa.com.br/

PORTAL DA FAMÍLIA – ATIVIDADES SOBRE AS DATAS COMEMORATIVAS
http://www.portaldafamilia.org/datas/pascoa/pascoasimbolos.shtml
ARTE E EDUCAÇÃO – DENTRE OUTRAS COISA, ENSINA A CALCULAR OS DIAS EM QUE A PÁSCOA CAIRÁ
http://www.arteducacao.pro.br/homenagem/Pascoa/pascoa.htm
JARDIM WALDORF RUMO DO GIRASSOL
http://www.rumodogirassol.com.br/páscoa.htm

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008