Tema: Vamos brincar com a arte?
1. Justificativa:
A preocupação com o ensino da arte para crianças, mais especificamente nos primeiros anos de vida tem sido demonstrada e confirmada atualmente por arte-educadores e pesquisadores de diferentes formas: produção acadêmica publicada, debates em congressos, conferências etc. Pois a arte é uma forma de divulgação da cultura de nossos povos, além de ser uma forma de expressar nossos sentimentos e pensamentos, tornando-se uma das muitas linguagens da infância.
Sabendo-se da importância de a arte fazer-se presente nos primeiros anos de vida das crianças este projeto tem como objetivo principal levar a criança a entrar em contato com as diversas expressões artísticas, vivenciando situações significativas que ampliem seu repertório cultural levando-as á percer a arte como forma de expressão de nossa cultura e de nossos sentimentos e pensamentos.
Para tanto, buscaremos na arte atividades que privilegiam a criatividade e a autonomia da criança na busca de soluções, valorizando também a troca de idéias e o trabalho cooperativo.
2. Objetivos de Ensino:
• Propiciar o contato das crianças com as diversas expressões artísticas;
• Organizar situações significativas que ampliem seu repertório cultural;
• Incentivar as crianças á expressar-se através da arte, desenvolvendo sensibilidade e um olhar crítico.
3. Objetivos de Aprendizagem:
• Entrar em contato com as diversas expressões artísticas envolvendo-se nas atividades propostas;
• Ampliar seu repertório cultural;
• Expressar-se através da arte;
4. Revisão Bibliográfica:
4.1: A arte na educação infantil:
Segundo Martins;Picosque;Guerra (1998, p.14): A comunicação entre as pessoas e as leituras de mundo não se dão apenas por meio da palavra. Muito do que se sabemos sobre o pensamento e os sentimentos das mais diversas pessoas, povos, países, épocas são conhecimentos que obtivemos única e exclusivamente por meio de suas músicas, teatro, pintura, dança, cinema, etc.
Portanto podemos afirmar que a Arte é uma forma do ser humano expressar suas emoções, contar sua história e sua cultura através de valores estéticos, como beleza, harmonia, equilíbrio.
Nos anos 90, a Arte foi reconhecida como disciplina, constando na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB nº 9.394/96), aprovada em 20 de dezembro de 1996 e em seu artigo 26, parágrafo 2º nos diz: “O ensino da Arte constituíra componente curricular obrigatório, nos diversos níveis da educação básica de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos” (BRASIL. 1996). No que diz respeito à Arte na Educação Infantil o Referencial Curricular para Educação Infantil (RCNEI) diz que:
[...] tal como a música, as Artes Visuais são linguagens e portanto uma das formas importantes de expressão e comunicação humanas, o que, por si só, justifica sua presença no contexto da educação, de um modo geral, e na Educação Infantil, particularmente. (BRASIL, 1998c, p.85)
Assim podemos perceber quão relevante é falarmos de arte, pois falamos de emoção, prazer e encantamento, sentimentos que estão intimamente ligados à experiência estética, que também está ligada à sensibilidade, e desta forma devemos propor desde cedo o contato das crianças com propostas artísticas, pois é pela vivência que nos sensibilizamos no relacionamento com o mundo, ela e a imaginação criadora nos proporcionam uma imersão no mundo da arte.
Nascimento e Tavares (2009) pontuam que as Artes Visuais expressam, comunicam e atribuem sentido a sensações, sentimentos, pensamentos por vários meios, dentre eles; linhas formas, pontos, que estão presentes no dia-a-dia da criança, de formas bem simples como: rabiscar e desenhar no chão, na areia, em muros, sendo feitos com os materiais mais diversos, que podem ser encontrados por acaso, são linguagens, por isso é uma forma muito importante de expressão e comunicação humanas, isto justifica sua presença na educação infantil.
Desde o nascimento já vivemos em um mundo repleto de produções culturais que contribuem para nossa estruturação do senso estético quanto às imagens, objetos, músicas, falas, movimentos, histórias, jogos e informações da vida cotidiana, e assim vamos dando forma as nossas maneiras de admirar, de gostar, de julgar, de apreciar e também de fazer as diferentes manifestações culturais de nosso grupo social e dentre elas, as obras de arte que participam das ambiências e manifestações estéticas de nossa vida tanto direta quanto indireta.
A linguagem artística adquire caráter ainda mais significativo na educação infantil porque a sua produção envolve tanto os aspectos cognitivos quanto os aspectos afetivos, intuitivos, sensíveis e estéticos. Assim, ao mergulhar no processo de produção artística, as crianças desenvolvem uma série de pré-requisitos muito importantes para o desenvolvimento da aprendizagem, como o pensamento, a imaginação, a sensibilidade, a intuição e a percepção.
O processo de criação artística, portanto, ao mesmo tempo, que contribui para a formação intelectual da criança, promove a aperfeiçoamento do seu domínio corporal, desenvolve seu processo de expressão e de comunicação e favorece seu relacionamento interpessoal, tornando-a mais participativa e flexível.
4.2: O papel do professor.
Ferraz; Fusari (1999) colocam que ao trabalharmos a Arte na educação Infantil, faz-se necessária organização e explicitação do trabalho, visto que a prática do ensino e aprendizagem da Arte traz consigo questões relativas ao processo educacional e a forma como o professor organiza suas propostas de Arte em sala e que esta seja significativa.
Mesmo sendo considerado um ato exclusivo, autônomo e espontâneo da criança, o processo de criação e construção artística pode ser significativamente enriquecido pela ação dirigida do professor. No processo do fazer artístico, também é importante que o professor promova a valorização e a interação das crianças com suas próprias criações artísticas, o que pode ser alcançado, por exemplo, a partir das exposições dos trabalhos realizados.
O professor deverá garantir que as crianças conheçam e vivenciem aspectos técnicos inventivos, representacionais e expressivos com um trabalho consistente e organizado levando a crianças à análise, reflexão e transformação através de criações artísticas.
Moreira (19693) aponta que é muito importante a relação que a criança estabelece com os diferentes tipos de materiais, primeiro para que adquiram habilidades no uso dos diferentes meios de comunicação, depois pela própria exploração sensorial e da utilização de diversas brincadeiras, nesse sentido as concepções que o professor tem sobre esta linguagem exercem uma grande influência na escolha e organização das atividades.
Segundo Ferraz; Fusari (1999) dentro do processo de formação do conhecimento da Arte pela criança o professor deve compreender o significado de seu mundo expressivo e procurar saber por que e como ela o faz, pois quando a criança desenha, pinta, dança e canta, o faz com vivacidade e emoção. A expressão infantil é constituída de elementos cognitivos e afetivos, sendo assim desde pequenas, as crianças desenvolvem linguagem própria traduzida em signos e símbolos, carregados de significação subjetiva e social, e que devem ser respeitadas e reconhecidas, visto que os rabiscos das crianças são extensões de seus gestos primordiais, um ato criador, resultado de um ato expressivo que evidencia o seu desenvolvimento e expressão do seu eu e do seu mundo, além dos aspectos afetivos, perceptivos e intelectuais.
O compromisso do professor segundo as autoras é adequar o seu trabalho para o desenvolvimento das expressões e percepções infantis e buscando aprimorar as potencialidades das crianças orientando-as a observar, ver, ouvir, tocar, enfim perceber as coisas, a natureza e os objetos á sua volta.
Para que isso aconteça, é necessário que o professor seja um pesquisador, um profissional que busque a contextualização do assunto trabalhado, procurando mostrar as produções artísticas da humanidade como produtos de um contexto social e histórico. A prática do professor precisa ser constantemente revista, em cada um dos experimentos realizados em sala de aula, pois a pesquisa que se aplica adequadamente à Educação, conforme nos fala Dickel (1998, p. 57), é aquela que:
(...) desenvolve teoria que pode ser comprovada pelos professores. É nesse contexto que se faz necessário o professor como pesquisador, movido por indagação sistemática, tornando a sua prática da mesma forma hipotética e experimental.
Cabe ao professor vivenciar a arte para que assim possa apresentá-la ás crianças, pois não podemos falar do que não conhecemos e experimentamos.
Portanto a Arte revela autonomia e espontaneidade da criança, evidenciando traços relacionados ao lugar e à época em que vive. E nós professores temos o dever de propiciar o acesso de nossas crianças a este mundo mergulhando na construção de conhecimentos através da fantasia, imaginação e da sensibilidade que a arte nos promove.
5. Procedimentos Metodológicos:
5.1: Berçário I e II:
• Confeccionar fichas com obras de arte;
• Confeccionar móbiles de caixa contendo obras de arte colada;
• Confeccionar potes de lenço umedecido contendo obras de arte colada;
• Trabalhar com músicas de ritmos e estilos diversos;
• Realizar contações de histórias de formas diversificada;
• Explorar as sensações trabalhando os sentidos;
• Criar um personagem que recitará poemas;
• Explorar as cantigas de roda;
• Explorar massinha de modelar e argila;
5.2: Maternal I e II:
• Criar o canto da arte de formas diversificadas com a visualização de obras de arte;
• Trabalhar com revisitação de obras (maternal II);
• Apresentar técnicas diversificadas de desenho e pintura;
• Criar um personagem que recitará poemas;
• Realizar contações de história diversificadas;
• Trabalhar com músicas de ritmos e estilos diversos;
• Explorar massinha de modelar e argila;
6.Culminância:
Organizar uma Exposição dos trabalhos das crianças e convidar os pais.
7.Cronograma:
• De maio á dezembro de 2010.
8. Recursos:
• Obras de arte;
• Tintas diversas;
• Papéis diversos;
• Cd DVD com músicas;
• Livros de história;
• Fantasia;
• Caixas de papel;
• Potes de lenço umedecido
9. Avaliação:
A avaliação se dará através do portifólio de crescimento que tem como objetivo demonstrar o crescimento do grupo ao longo do projeto.
10. Revisão Bibliográfica:
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDB. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Brasília: MEC/SEF, 1996.
BRASIL. Ministério da Educação Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1998a.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Formação Pessoal e Social. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 1 v, 1998b.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Formação Pessoal e Social. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Brasília: MEC/SEF, 3 v, 1998c.
FERRAZ, M H C. de T.; FUSARI, M.F de R. Para fazer e pensar uma Educação Escolar em Arte. In:______. Metodologia do Ensino da Arte. 4. reimp. São Paulo: Cortez, 1999a. cap. 1, p. 13-24.
FERRAZ, M H C. de T.; FUSARI, M.F de R. A criança conhecendo a Arte.. In:______. Metodologia do Ensino da Arte. 4. reimp. São Paulo: Cortez, 1999b. cap. 4, p. 53-82.
MARTINS, M.C.; PICOSQUE, G.; GUERRA, M. T.T. Didática do Ensino de Arte: A Língua do Mundo: Poetizar, fruir e conhecer arte. São Paulo: FTD, 1998.
MOREIRA, Ana Angélica Albano. O espaço do desenho: a educação do educador – Coleção Espaço. 8. ed. São Paulo: Edições Loyola, 1993.
Nascimento S P, Ednia ; Tavares, Helenice Maria .Das Artes Visuais na Educação Infantil: Possibilidade Real de Lúdico e Desenvolvimento -Revista da Católica, Uberlândia, v. 1, n. 2, p. 169-186, Minas Gerais , 2009–
http://periodicos.unesc.net/index.php/iniciacaocientifica/article/view/58/48 site consultado em 05/05/2010.













































